A Supremacia Espiritual

Como é curioso ver o cristão de hoje em dia discutindo suas convicções e tentando ser superior a todos, em tudo.

Muitas vezes acho engraçado como nós seres humanos somos tão convictos de certas coisas. Gostamos de declarar nosso conhecimento, nossa sabedoria, e adoramos afirmar as coisas. Eu me pergunto, o quanto de tudo isso nós podemos considerar realmente como sabedoria, conhecimento e inteligência.

Será que ao final nós iremos crescer e aprender como as coisas realmente funcionam, e perceber que toda nossa convicção e sabedoria não terão passado de grandes passos dados no escuro?

Estive lendo um dia desses um texto em Romanos, que me trouxe uma série de reflexões.

Ele dizia assim:

  • Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas – Romanos 14:1

O que significa a expressão Enfermo na Fé?

Talvez seja alguém cuja Fé ainda não atingiu um estágio mais elevado de compreensão. Uma fé simplória, humilde. Uma fé que não apresenta grandes conhecimentos bíblicos e não consegue entender ou discutir grandes questões, filosóficas ou religiosas.

Uma fé que talvez interprete incorretamente as questões da fé. Uma Fé que é pequena e precisa de auxílio, e por isso Paulo diz “recebei-o”.

Este “recebei-o” possui um ar um tanto quanto paternal, como se Paulo estivesse dizendo: Compreenda, receba e acolha aquele que possui uma fé ainda em desenvolvimento.

Portanto, fazendo uma tradução (segundo eu mesmo!), teríamos:

  • “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o”

Seria o mesmo que dizer:

  • “Compreenda e acolha aquele que possui uma Fé ainda em desenvolvimento”

E o texto ainda continua com a orientação: “não em contendas sobre dúvidas”.

Esta frase me leva a pensar que Paulo está desencorajando qualquer tipo de discussão, debate ou argumentações sobre as questões duvidosas da Fé, com aqueles cujo entendimento ainda está por atingir um patamar mais amadurecido.

A recomendação de Paulo pode parecer desnecessária num primeiro momento, mas ao observar o comportamento geral do Cristão, podemos perceber uma nítida mania – ou complexo – de inteligência. Ou poderíamos dizer mania de santidade. É como se existisse uma disputa velada (ou declarada) sobre quem possui mais maturidade religiosa.

Paulo sabia que existiam algumas questões mais complicadas para o entendimento, que poderiam confundir alguns dos Cristãos menos esclarecidos e que tais questões poderiam não representar desafios para os mais esclarecidos, e desencoraja esse tipo de “confronto”.

Porém aí é que entra, na minha opinião, uma das classificações curiosas a respeito da Fé.

Aquele que determina quem é mais ou menos esclarecido em relação à Fé está usando qual critério para estabelecer o raciocínio? É menos esclarecido na Fé aquele que recebeu a Fé Cristã há menos tempo? Ou aquele que é menos instruído?

E sobre qual tipo de instrução estamos falando, a instrução religiosa, ou a instrução secular? Ou ambas? Ou a instrução Divina?

Qual é o critério?

Não há uma resposta pra isso, e de qualquer maneira às vezes eu tenho a nítida sensação de que nossas convicções estão todas distorcidas, e de acordo com elas nós distorcemos de igual maneira os ensinamentos bíblicos, mesmo que eles estejam escrito em português claro, formal, correto e revisado.

E são sobre convicções como essas, distorcidas e duvidosas, que nós determinamos quem é mais ou menos instruído, quem é mais ou menos enfermo na fé, e quem é mais ou menos esclarecido nas questões religiosas, quando na verdade somos igualmente cegos.

E Paulo foi muito inspirado pelo Espírito Santo ao dizer: “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas”.

Digo isso porque, considerando qualquer ponto de vista, esse ensinamento colocaria um fim em qualquer disputa.

O raciocínio é simples: imagine duas pessoas, uma considerando a outra como sendo imatura na Fé.

Para ambas Paulo diz:

“Compreenda e acolha aquele que possui uma Fé ainda em desenvolvimento, sem debates ou argumentações.”