As Dificuldades

Há um texto na bíblia que diz: “… também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança …” Romanos 5:3,4.

Sempre fiquei um pouco incomodado com isso. Quem “se gloria” da tribulação?

Atravessar a tribulação é ruim demais, e ninguém gosta. Ninguém vê motivo nenhum para se “gloriar”. Nós temos vergonha da tribulação. São poucas as pessoas para quem nós abrimos nosso coração e dizemos o quanto estamos tristes, quando assim estamos. Como já disse um poeta ao afirmar “é proibido pensar”, eu também afirmo: “é proibido ficar infeliz”.

Felizmente sempre aparecem umas poucas pessoas, que mesmo sem dizer muita coisa confortam seu coração apenas com a presença delas.

O momento de dificuldade é um momento confuso, em que você não entende direito o que está atravessando, e não sabe direito o que quer. Se Deus aparecesse pra você e dissesse: “eu vim para livrá-lo da tribulação e para isso farei qualquer coisa, diga-me agora o que você quer”, será que você saberia exatamente o que responder? Certamente viriam efeitos catastróficos como conseqüências de ter seus desejos atendidos pelo gênio da lâmpada.

Talvez a melhor coisa a se fazer em relação à tribulação seja mesmo passar por ela. Atravessá-la. Sentir seus efeitos dentro de você. Muitas vezes a tristeza, naquelas noites sombrias em que seu coração parece que vai explodir dentro de você. Muitas vezes a angústia, a solidão, o desespero e a agonia.

Às vezes, porém, você sente seus músculos trabalhando. Seus músculos emocionais e espirituais. Você começa a se sentir mais forte. Você começa a se sentir mais acordado, mais vivo.

A tribulação é como uma onda. Você está no mar, a onda está vindo, e ela é grande e terrível. Primeiro você tenta nadar pra um lado, e ela vem e te leva pro fundo. Depois você tenta fugir nadando para a margem, ela pega você novamente e te leva para o fundo. Depois ela vem novamente e você num gesto de bravura irracional resolve enfrentá-la de frente com suas forças, e novamente ela leva você para o fundo. E cada vez que você vai para o fundo, você engasga, perde o ar, enrosca seus pés nas algas, bate seus joelhos nas pedras.

Até que você então resolve atravessar a onda. Ela vem em sua direção, grande e terrível. Você respira fundo, engole os seus medos, e mergulha na direção dela, bem no meio. Então ela passa direto por você. E você se sente aliviado. A onda passou.

Atravessar a dificuldade é como atravessar essa onda. Com coragem, respirando fundo, engolindo seus medos, e mergulhar na direção dela, bem no meio.

E vem uma nova onda, e você novamente passa por tudo aquilo de novo. Medo, preocupação. E começa seu exercício de paciência. Porque você atravessou uma onda. Mas as ondas não param. As ondas continuam, continuam, continuam. E nunca vão parar. E você atravessa uma, duas, três, mil. E elas continuam.

E a vida é assim, você precisa continuar atravessando. Continuar mergulhando. Até ficar perito em atravessar ondas, e começar a atravessar ondas cada vez maiores. E a cada onda maior e mais alta, um novo medo, e uma nova insegurança. E elas continuam vindo, e você precisa continuar.

Às vezes você se cansa de atravessá-las, e começa a tomar caldo novamente, porque você decidiu que não quer mais atravessar onda nenhuma, e resolve começar a boiar. Como se boiar na água fosse fazer as ondas pararem de vir.

No final, você recebe sua medalha. Não de campeão por chegar em primeiro lugar, mas de honra ao mérito por ter atravessado todas as dificuldades da vida.

Talvez seja isso então. Honra ao Mérito!

Criminalização da Homofobia

Antes de mais nada este é um texto longo, portanto, se você é um daqueles religiosos radicais que não importa o que esteja escrito sempre entende a mesma coisa, já coloquei no título deste artigo material suficiente para você ir direto para os comentários tecer suas críticas superficiais. (Comentários que firam princípios básicos de convivência – palavrões, insultos, etc- não serão aprovados.)

 

Introdução

Vou tentar explicar neste post, o que muitos parecem não entender.

Quando começou a discussão sobre a criminalização da homofobia, todo tipo de gente teceu todo tipo de comentário a respeito, alguns bem fundamentados, outros nem tanto. Nesta época eu pensei que isso seria normal pois era uma discussão nova e muita coisa ainda precisava ser estudada a respeito.

Mas o tempo está passando, e a discussão permanece a mesma, e os argumentos permanecem os mesmos. Isso é bem característico no comportamento padrão do religioso fundamentalista – ficar patinando cegamente no mesmo argumento não importa o que se diga a respeito. Mas é triste ver pessoas atacando com toda intensidade algo sobre o qual elas não fazem a menor idéia.

Não tenho muita esperança de atingir o entendimento dos religiosos radicais, porque estes já se perderam.  Mas eu espero atingir algumas pessoas. Espero atingir pessoas que buscam entender melhor as coisas, com serenidade e reflexão* , e que se aplicam em primeiro conhecer para depois falar, e não errar pela falta de conhecimento**.

Primeiro vamos tratar do que é a PLC 122/2006, e em seguida vamos fazer uma análise da argumentação religiosa contrária.

Vamos lá!

 

Conhecendo antes de falar

Antes de saber se você concorda ou não com alguma coisa você precisa conhecer. Vou inserir aqui uma análise parcial sobre a PLC 122/2006 (PROJETO DE LEI DA CÂMARA, Nº 122 de 2006), para que possamos saber do que se trata.

Um Projeto de Lei é uma proposta, que precisa ser enviada, analisada, revisada e assinada, para só então se tornar uma Lei.

O projeto de lei 122/2006 tem autoria de Iara Bernardi em sua atuação como Deputada Federal por São Paulo, e que atualmente concorre à prefeitura de Sorocaba. Se você deseja saber mais sobre Iara Bernardi consulte: http://iarabernardi.blogspot.com.br.

A ementa da PLC 122/2006 é:

“Altera a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, dá nova redação ao § 3º do art. 140 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, e ao art. 5º da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e dá outras providências.”

Obs.: uma Ementa é “uma descrição discursiva que resume o conteúdo conceitual ou conceitual / procedimental de uma disciplina. ” (Fonte: http://www.pucrs.br/gpt/ementa.php)

Portanto, é bem simples entender. Existem leis e decretos no Brasil, e dentro dessas leis e decretos existem seções específicas para tratar da questão do racismo ou da distinção de sexo.

Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, é quem define os crimes de preconceito de raça e de cor.

O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 é o Código Penal brasileiro, e nele constam artigos referentes à distinção de raça, cor e sexo.

O Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 é a famosa Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e nele constam artigos específicos sobre a questão da raça, cor e sexo.

Se você entendeu tudo até aqui, já percebeu então que a PLC122/2006 visa alterar os decretos acima, inserindo a mesma proteção que já existe hoje contra a discriminação racial e de sexo, para a orientação sexual.

 

Analisando a PLC 122/2006

Mas qual exatamente é o teor do projeto de Lei? Para isso eu sugiro que você leia o texto na íntegra, isso não vai dar muito trabalho. Vou analisar alguns trechos aqui. Essa análise é muito importante, porque este projeto de lei tem sido alvo de muitos ataques, principalmente religiosos. Avalie o texto com um olhar crítico.

A maioria dos artigos altera a definição das penas, e o tempo de reclusão. Selecionei abaixo os artigos mais relevantes na minha opinião. A análise abaixo foi escrita por mim, para verificar o texto da lei na íntegra consulte as referências.

 

Art. 2º  – Alteração da Ementa da Lei 7716/89

A ementa da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.”(NR)

Antes, a ementa da Lei 7716 era:

“Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.”

 

Art. 3º – Alteração do Artigo 1º da Lei 7716

O caput do art. 1º da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.”(NR)

Antes, o artigo 1º era:

“Art 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”

 

Art 7º – Alteração do Art 8º da Lei 7716

A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar acrescida dos seguintes art. 8º-A e 8º-B:

“Art. 8º-A Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no art. 1º desta Lei: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”

“Art. 8º-B Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”

Anteriormente o Art 8º era:

Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público. Pena: reclusão de um a três anos.”

 

Art 11º – Alteração do Art 5º da CLT (DL 5452)

O art. 5º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:

“Parágrafo único. Fica proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso a relação de emprego, ou sua manutenção, por motivo de sexo, orientação sexual e identidade de gênero, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade, ressalvadas, neste caso, as hipóteses de proteção ao menor previstas no inciso XXXIII do caput do art. 7º da Constituição Federal.”

O Art 5º da CLT antes não possuía parágrafo, definido assim:

“A todo trabalho de igual valor corresponderá salário igual, sem distinção de sexo.”

 

Os artigos citados acima demonstram de forma clara o teor da PLC 122/2006. Todas essas restrições e penas já existem nos atuais decretos, porém não levam em conta a orientação sexual ou identidade de gênero.

 

Análise dos Argumentos Religiosos

Não podemos tratar dessa questão sem analisar os argumentos religiosos. Existe uma infinidade de sites e blogs religiosos, todos envolvidos em uma cruzada contra a PLC 122/2006. É humanamente impossível analisar todos os argumentos de todos eles. Decidi então analisar a argumentação do principal combatedor da PLC 122/2006, o Pastor Silas Malafaia.

Pelo que eu andei vendo e ouvindo, eu acredito que a posição do Pr. Silas Malafaia é comum à grande maioria dos religiosos contrários à PLC 122/2006, e portanto um ótimo exemplo para avaliar se a discussão religiosa que está acontecendo sobre a Lei está sendo bem conduzida.

Neste ponto eu considero fundamental que você pare a leitura e assista ao vídeo do Pr. Silas Malafaia, para que você possa estar ciente de quais são os seus comentários a respeito. São dois vídeos, parte 1 e parte 2 e eu pretendo analisar frases e conceitos chave expostos nesses dois vídeos.

Assista!

Silas Malafaia denuncia PLC 122 parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=dppXTbS_EeM
Silas Malafaia denuncia PLC 122 parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=IrtRZK8vZJE

 

Análise dos Vídeos

O Pr. Silas Malafaia faz uma breve introdução nos primeiros minutos do vídeo 1, exaltando que estamos em uma democracia, e que a PLC 122 tenta “colocar uma mordaça na sociedade”.

Em seguida, o Pr. lê a constituição. Aparentemente o intuito de citar a constituição é demonstrar que suas críticas e ações estão baseadas no direito de expressão e livre pensamento.

O Pastor também cita que a PL 122/2006 tem o objetivo de “rasgar a constituição”.

Em seguida o Pastor lê 4 artigos da constituição, a saber:

  • IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
  • VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
  • VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
  • IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Após ler os artigos da constituição o Pr. faz alguns comentários sobre a questão da homofobia. Segundo o Pastor, o termo homofobia está sendo utilizado indevidamente para classificar como homofóbica a pessoa que critica o homossexual. Conforme suas declarações, o direito à crítica sobre tudo e todos é assegurado pela constituição, e ele afirma: “há uma diferença entre criticar condutas e discriminar pessoas”.

Em seguida o Pr. faz algumas declarações sobre como “Eles” tentaram tirar sua licença de psicólogo e seu programa de televisão. Depois ele faz mais alguns ataques ao grupo que ele definiu como “Eles”,  à Senadora Marta Suplicy que reativou o projeto de lei 122/2006, e aos jornalistas.

Assim termina a primeira parte.

Na segunda parte, o Pr. Silas Malafaia inicia separando alguns artigos da PL 122/2006 (que já tratamos aqui), a saber:

“Art. 8º-A Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no art. 1º desta Lei: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”

“Art. 8º-B Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”

“§ 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”

Após expor a sua interpretação dos artigos acima o pastor volta novamente sua atenção para o grupo “Eles”, referindo-se claramente aos homossexuais de uma forma generalista.

O Pastor finaliza o vídeo chamando as pessoas para uma manifestação em frente ao congresso nacional, fazendo mais algumas declarações sobre a PL122 e dando orientações para que seu público proteste junto aos seus senadores.

 

Uma Leitura dos argumentos do Pastor

Muitas coisas poderiam ser notadas nesses vídeos, e infelizmente não há tempo para isso. Outro problema é que infelizmente também não há tempo para avaliar se a argumentação do Pastor Silas Malafaia nas sessões públicas se baseia nas mesmas questões apresentadas por esses vídeos.

Eu só espero realmente que a argumentação apresentada pelo Pastor Silas Malafia não seja apenas essa, pois é uma argumentação fraca e decepcionante. É triste constatar que muitas pessoas seguem a mesma posição com base nessa mesma argumentação.

Vou pegar apenas alguns exemplos.

 

Exemplo 1

Logo no início do vídeo o pastor cita a constituição. O objetivo de fazer isso é demonstrar que ele tem a liberdade para criticar os homossexuais, e logo em seguida cita alguns artigos. Observe um dos artigos citados pelo Pastor:

“VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;”

O que será que o Pastor Silas Malafia entende ao ler “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa”? É muito curioso notar que o Pastor acaba se “enrolando” até mesmo na leitura desse artigo.

Aqui ele tenta dar o tom de que o homossexual por suas convicções filosóficas ou políticas está tentando tirar o direito à crítica dos evangélicos ou da sociedade, mas se esquece de que o evangélico também não pode privar homossexuais dos seus direitos, por motivo de crença religiosa.

Não houve nenhuma utilidade em sua tentativa de citar a constituição.

 

Exemplo 2

O Pastor Silas Malafaia zomba de uma intervenção feita pela Senadora Marta Suplicy. A Senadora Marta Suplicy inseriu um artigo na PLC 122/2006 buscando fazer uma trégua com os grupos religiosos nessa questão. A alteração da senadora visava estabelecer que grupos religiosos poderiam manifestar livremente suas crenças em relação a qualquer assunto, inclusive o da prática homossexual, desde que o fizessem de forma pacífica.

O Pastor Silas Malafaia enfatizou: “Não precisamos da sua ajuda, já sabemos disso na constituição” e termina dizendo que ele sabe muito bem a diferença entre condenar a conduta e discriminar a pessoa.

Porém poucos minutos mais tarde, ele deixou bem claro que ele não sabe essa diferença. Ele citou o exemplo de um pastor que não vai poder mandar duas pessoas saírem de uma igreja, por estarem demonstrando afetividade homossexual. Acho impressionante ele citar uma situação como essa porque esse exemplo é uma definição clara de preconceito e discriminação.

É exatamente contra esse tipo de coisa que a PLC 122/2006 existe, e parece ser exatamente essa diferença entre não concordar e discriminar que pessoas como o Pr. Silas não compreendem.

 

Exemplo 3

Logo no início do segundo vídeo, o Pastor Silas comete um erro primário de interpretação. Vamos analisar, ele estava lendo o seguinte artigo:

“Art. 8º-B Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”

Ele citou esse artigo como sendo a maior aberração de todas, usando como sustentação a seguinte constatação: ao dizer “sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs” depois de “livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero” esse artigo está definindo que primeiro esse direito é assegurado aos homossexuais, e depois aos heterossexuais.

Porém não é isso que o artigo está dizendo. Vou ajudar o Pastor a entender o texto.

O artigo diz o seguinte:

Como todos os demais cidadãos e cidadãs de orientação heterossexual já possuem o direito à expressão e manifestação de afetividade, este direito não deve ser negado ao homossexual, bissexual ou transgênero.

Fiquei admirado com um erro tão grave de interpretação! E é ainda mais grave usar um erro primário de interpretação para fundamentar toda uma argumentação.

 

Exemplo 4

Novamente o Pr. comete um erro grave de entendimento ao criticar o seguinte artigo:

“5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica”

O Pr. considera este artigo um absurdo usando o seguinte argumento: “quer dizer que eu, ao expressar que sou contra a prática homossexual, filosoficamente, então meu filho, bota na cadeia.”

Segundo o entendimento do pastor, ele não pode se manifestar filosoficamente contra a prática homossexual. Não é isso que o artigo quer dizer, vamos ajudar o pastor novamente.

O artigo diz que você não pode praticar ações violentas, constrangedoras, intimidatórias ou que causem vexame, qualquer que seja a ordem: moral, ética, filosófica ou psicológica.

Isso só será um problema pra você, se a única forma de comunicação que você conheça seja a violência.

Em mais um exemplo, fica evidente a dificuldade do Pastor em entender e interpretar os textos das leis.

 

Exemplo 5 – Considerações Gerais.

Várias vezes durante os dois vídeos, o Pr. faz acusações ao grupo “eles” dizendo “vou provar” porém não apresenta absolutamente nada convincente para comprovar nenhum dos fatos a que se referiu. Vale lembrar que não estou duvidando da existência dos processos nem das situações a que ele se referiu, e sim questionando a forma como ele usou isso de forma vazia no vídeo.

O Pr. faz uma série de constatações vazias e de ordem sensacionalista, como “rasgar a constituição”, “amordaçar a sociedade”, e diversos ataques ao grupo “eles” e a jornalistas e imprensa.

O Pr. faz uma série de “previsões apocalípticas” dizendo que em breve vão aprovar a pedofilia, vão prender pastores, etc.

 

Conclusão

Não foi apresentado nenhum argumento coerente da parte do Pr. Silas Malafaia. Muito pelo contrário, ele apresentou um grande despreparo no trato com o tema, problemas de lógica e interpretação de texto, sensacionalismo e preconceito.

Fica evidente que não existe nada concreto em sua causa contra a PLC 122/2006, salvo sua crença religiosa de que a homossexualidade é pecado.

 

Faça sua Reflexão

Aqui ficou claro o que é o projeto de lei, e o que ele visa alterar. O discurso a favor todos já sabemos, é uma luta contra a discriminação. Analisamos também o discurso contrário, usando como base o principal combatedor da PLC 122/2006.

A partir de agora você pode fazer por conta própria suas análise sobre os impactos disso sobre sua vida e sobre a sociedade.

A PLC 122/2006 tem como objetivo destruir a família brasileira? Estabelecer uma ditadura gay no Brasil? Legalizar a pedofilia?

Procure ter em mente que nada está sendo feito às escondidas. Todas as informações estão à disposição do cidadão, e foi você quem colocou os deputados e senadores lá.

 

Pense!

 
Referências e Fontes de Consulta.

* 2 Timóteo 4:5

** Oséias 4:6

PLC 122/2006 – http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=79604

Iara Bernardi http://iarabernardi.blogspot.com.br/

Marta Suplicy http://www.martasuplicy.com.br/

Ementa – http://www.pucrs.br/gpt/ementa.php, http://pt.wikipedia.org/wiki/Ementa

Lei 7.716 – http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111031/lei-do-crime-racial-lei-7716-89

Decreto Lei 2848 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm

Decreto Lei 5452 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm

O que é um Projeto de Lei – http://pt.wikipedia.org/wiki/Projeto_de_lei

Página de pesquias de projetos de lei – http://www.camara.gov.br/sileg/default.asp

Projeto de Lei 5003/2001 – http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=31842

Silas Malafaia – http://www.vitoriaemcristo.org/_gutenweb/_site/gw-inicial/

 

Perguntas e Respostas

Essa é uma discussão sobre o evangelho, e de uma certa forma, sobre a religião. Ou, tentando definir melhor o assunto, estou aqui tratando de questões como cristianismo, religiosidade e sobre ser um seguidor de Cristo. Afinal, essa é a busca do Cristão: ser um seguidor de Cristo.

E essa busca vai um pouco além do simples “seguir” a Cristo, pois ele mesmo nos deixou indicado que seguí-lo implicaria no fato de viver como ele viveu. E é disso que estou falando aqui.

Sou profissional de TI, trabalho há muitos anos em uma consultoria, e tive a oportunidade de conhecer os mais diversos ambientes corporativos. Já participei de projetos nas maiores empresas do Brasil, e tive também o privilégio de fazer algumas viagens internacionais.

Essa bagagem profissional me deixa razoavelmente confortável pra dizer que algumas das minhas impressões sobre a visão do sistema a respeito da vida são concretas.

Uma delas é a total incompatibilidade do modo de vida que o sistema determina que você precisa ter, em relação ao modo de vida que era ensinado por Jesus. Uma das formas bem claras de enxergar isso estão nos princípios do sistema que definem o sucesso.

De imediato já poderíamos avaliar que para o sistema não importa que você tenha vida, o que importa é que você tenha sucesso, mas essa é uma outra discussão e por enquanto vamos deixar as implicações dessa questão de lado.

Hoje eu me faço a seguinte pergunta: é possível viver da forma como Jesus vivia?

Para viver como ele viveu, seria necessário enxergar as coisas através da ótica de Jesus. Mas como fazer isso, se cada um de nós possui sua própria ótica? Cada pessoa é diferente, e enxerga as coisas de uma forma. Ainda que seja possível aprender coisas com Jesus, ou seja, absorver um pouco de sua ótica, nós ainda estaríamos agindo através de uma ótica pessoal – ainda que modificada.

E temos ainda um outro problema em relação a isso. Jesus não está mais fisicamente entre nós, e não está mais facilmente acessível, como era antes, quando caminhava por aqui. Todas as formas de acesso a Jesus hoje estabelecidas pelos nossos conceitos cristãos são muito abstratas e de difícil definição.

Se isso não fosse assim, nós poderíamos simplesmente perguntar: Jesus o que eu faço com essa situação? E ele nos daria uma resposta. Quem sabe até nos daria uma parábola como resposta, mas pelo menos teríamos algo com que trabalhar. Mas hoje, quando fazemos essa oração “Jesus o que eu faço com essa situação?”, não há uma voz ou parábola em resposta.

Eu tenho razões para acreditar que há uma saída para esse dilema, e que ela pode ser encontrada de forma bem concreta, como uma consequência do “está consumado” de Jesus.

Minhas razões se baseiam nos seguintes pensamentos:

Pensamento 1

O fato de que eu não sei a resposta para uma determinada situação, não obrigatoriamente implica no fato de que essa resposta não exista, ou seja, a minha ignorância em relação a determinada situação não representa a ignorância do mundo ou de Deus.

Isso nos tira de uma situação onde não há una resposta para nossas perguntas, e nos coloca em uma situação onde na verdade precisamos buscar onde está essa resposta.

Esse pensamento transforma a solidão de um beco sem saída, na perseverança de uma caminhada.

Pensamento 2

Para obter a resposta para um determinado problema, você não precisa que o autor da resposta se materialize diante de você.

Isso é muito simples de provar. Hoje nós vivemos nossa vida quase integralmente fundamentada em respostas sugeridas por pessoas que não estão mais presentes. Equações matemáticas, conceitos diversos de história, física, químia, biologia, filosofia e em todas as áreas da nossa vida foram deixados por pessoas que não estão mais aqui, e ainda assim esses conceitos resolvem nossos problemas diariamente.

E não há nenhum desamparo da parte de Deus nisso. Isso representa sobretudo a incrível competência de Deus.

Um professor que precisa conduzir seu aluno pela mão pessoalmente desde seu nascimento até sua morte aos cem anos de idade, ou não está fazendo um bom trabalho, ou possui um aluno com sérias dificuldades intelectuais.

Levando em consideração que nós mesmos fomos criados por Deus, eu não posso crer que ele nos fez incapazes mentalmente, e também não posso crer que Deus é incompetente.

Eu não preciso, portanto que Deus apareça e me responda orações pessoalmente ou com sua voz, dado todo o cenário completo de possibilidades deixado por seus ensinamentos.

Esse pensamento me aproxima genuinamente de Deus e das pessoas.

Esse pensamento me aproxima de Deus de forma genuína, pois a partir do momento em que eu deixo de olhar para Deus como uma estante onde eu procuro apenas encontrar a solução para os meus problemas, eu abro a possibilidade para me relacionar com ele pela amizade que nós poderíamos construir.

Esse pensamento também me aproxima de forma genuína das pessoas, pois é através do relacionamento em amor com elas que minha caminhada perseverante se torna mais amena, e é por intermédio delas que Deus responde a várias das minhas questões.

Pensamento 3

Se o homem é capaz de perpetuar com fidelidade satisfatória princípios científicos e filosóficos, também preciso considerar que é capaz de perpetuar com a mesma fidelidade satisfatória princípios religiosos ou fatos históricos relacionados.

Isso me deixa mais à vontade para considerar os registros deixados sobre a vida de Jesus, no mínimo em sua essência.

Deixando a discussão sobre exageros dos relatos ou situações místicas à parte, é um fato irrefutável por todos que a vida de Jesus foi fundamentada e vivida no amor.

E isso é não apenas incrível, como lindíssimo.

Veja que coisa maravilhosa: Todos os milagres e incríveis manifestações de Jesus são questionáveis tanto cientificamente quanto por questionar-se fidedignidade dos relatos, com exceção do maior deles e do único que realmente faz diferença em nossas vidas, que foi o fato de Jesus ter vivido uma vida completamente baseada no amor.

Esse pensamento me ajuda a acreditar no que foi deixado escrito sobre a vida de Jesus, não como uma forma de me oprimir ou oprimir os outros com inúmeras regras a serem seguidas, mas como uma forma de que existe um exemplo a ser seguido, e ainda mais: é possível seguir esse exemplo pois ele foi deixado por outro ser humano.

Considerado então as implicações desses três pensamentos, eu diria que é possível sim viver como Jesus viveu. É necessário antes de mais nada saber como ele viveu, como ele costumava agir, e existem relatos suficientes sobre isso.

É necessário também estar preparado para ser prejudicado, pois Jesus demostrou que não é possível fazer o bem, sem sofrer o mal.

Mas antes de fazer uma lista interminável de todas as coisas que seriam necessárias, poderíamos apenas deixar e perpetuar um único ensinamento, que reúne em si mesmo todas os mistérios, respostas, valores e princípios:

“Um novo mandamento vos dou: Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Nisto todos conhecereis que sois meus discípulos. “Joao 13:34,35

A Ordem Sagrada do Cristal Mágico – Parte Final

Alguns séculos se passaram. Estamos no ano de 2599.

O Magistrado Supremo toma seu lugar no centro do salão oval do mega templo, com espaço para mais de 200 mil pessoas.

“Queridos irmãos e irmãs, da Ordem Sagrada do Cristal Mágico. Estamos aqui para celebrar e relembrar.

Há mais de 600 anos, nosso primeiro grande Magistrado Supremo, Mehn Dy Gho, recebia a santa revelação do Cristal Mágico.

Revelação essa que mudou profundamente sua vida, e por isso mesmo ele nos deixou escritas suas cartas sagradas, para que eu e você pudéssemos também crer no poder do Cristal Mágico.

Iremos agora dar início a nossa solenidade repetindo os Mandamentos do Cristal.

Se esses mandamentos forem seguidos, irão nos garantir um lugar na Ordem Espiritual do Cristal, que nos aguarda na próxima vida.

Há concordância com essa palavra?”

E todos repetiram: Sim, concordamos!

“Prossigamos então”, continuou o Magistrado, lendo em voz alta os mandamentos:

Primeiro Mandamento

Todo aquele que se desviar do caminho do Cristal Mágico estará condenado a escuridão eterna.

Segundo Mandamento

Não teremos piedade daqueles que cometem delitos. Todos serão julgados e sentenciados, em nossos corações e com nossos atos.

Terceiro Mandamento

Colocaremos nossa estrutura e nossa instituição acima do bem-estar das pessoas. Pessoas não são importantes, o que é importante é manter a Ordem Sagrada do Cristal Mágico.

Quarto Mandamento

Nossos valores e princípios serão sempre negociáveis. Não podemos trazer problemas para nossa estrutura ou causar prejuízos para pessoas importantes por uma questão supérflua como valores e princípios.

Quinto Mandamento

Os fins sempre justificam os meios.

Sexto Mandamento

Jamais se questionará a palavra do Magistrado Supremo. Não importa o que ele diga, a palavra dele sempre representará a revelação do Cristal Mágico. Questionar a palavra do Magistrado é rebelião e leva à escuridão eterna.

Sétimo Mandamento

A maneira mais fácil de esconder seu próprio erro, é evidenciando com vigor os erros daquele que está ao seu lado.

Oitavo Mandamento

Com a nossa boca pregaremos a humildade, mas sabemos que o verdadeiro poder está na superioridade, então sempre iremos nos considerar superiores aos outros.

Nono Mandamento

Para manter funcionando essa estrutura que nós mesmos criamos, precisamos criar leis espirituais para convencer as pessoas a darem dinheiro.

Décimo Mandamento

Viveremos e agiremos sempre para engrandecer a nossa estrutura, pois o mundo lá fora é mau e perverso, e de fora das nossas portas nada pode vir de bom.

Dizendo o mandamentos do cristal, o magistrado supremo finaliza perguntando: há concordância?

E todos repetiram: Sim, concordamos!

E assim o Magistrado Supremo da Ordem Sagrada do Cristal Mágico dava início a mais uma solenidade.

O fato triste era que, aquele pobre mendigo que havia vivido há 600 anos atrás jamais imaginou, e muito menos planejou que sua bolinha de gude um dia seria chamada de Cristal Mágico, e que ele seria considerado um profeta espiritual.

O bom e velho mendigo só queria sossego.

E isso me leva a perguntar, o quanto dos rituais e solenidades a que nós nos submetemos hoje – e submetemos os outros – foram projetadas para serem assim.

Será que nós estamos seguindo uma verdadeira determinação espiritual escrita em detalhes para nós há séculos atrás, ou uma enorme conjunção de diversas invenções humanas que foram se ajuntando ao longo dos séculos, que acabaram por transformar uma simples bolinha de gude, encontrada no chão, em um cristal mágico cheio de revelações espirituais.

Será que os valores e princípios que hoje nós defendemos na prática, foram os valores efetivamente deixados por aquele cujo nome nós trazemos estampado em nossas camisetas e bandeiras?

Pense!

Sopa ou Churrasco?

Estive lendo um dia desses um texto que me deixou muito intrigado.

Eu acho muito divertido quando consigo detectar certos mistérios escondidos nos textos bíblicos e nessas horas ler a bíblia se torna uma aventura, uma exploração de terras desconhecidas.

O texto fala de quando Eliseu estava com seus discípulos em Israel, durante um tempo de fome, e ele manda um de seus servos buscar ingredientes para fazer uma sopa. O servo pega os ingredientes errados, e acaba jogando veneno na sopa. Eliseu então intervém e cura a sopa milagrosamente de seu veneno.

Eis o texto:

2 Reis 4:38-41

“E, voltando Eliseu a Gilgal, havia fome naquela terra, e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença; e disse ao seu servo: Põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas.
Então um deles saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e colheu dela enchendo a sua capa de colocíntidas; e veio, e as cortou na panela do caldo; porque não as conheciam.
Assim deram de comer para os homens. E sucedeu que, comendo eles daquele caldo, clamaram e disseram: Homem de Deus, há morte na panela. Não puderam comer.
Porém ele disse: Trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: Dai de comer ao povo. E já não havia mal nenhum na panela.”

A primeira coisa que eu percebo no texto é a revelação talvez de um principio espiritual. Revelação não no sentido de “descoberta”, pois não é um princípio novo nem desconhecido, mas no sentido de “afirmação”, ou seja, o texto reforça e encoraja o cristão a seguir um princípio básico ao atravessar suas dificuldades.

Vamos analisar o texto:

“E, voltando Eliseu a Gilgal, havia fome naquela terra, e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença”

Havia fome na terra. Fome aqui representa a tribulação. Havia dificuldade sobre a terra, sobre a vida das pessoas. Mas havia também esperança, pois havia a presença do homem de Deus, do profeta do Senhor.

“Os filhos dos profetas estavam na sua presença.”

Aqui se re-afirma o princípio: o melhor lugar para você estar, no tempo da tribulação, é na presença do Senhor. Aqui a presença do profeta representa a presença de Deus.

Em tempos de dificuldade, direcionamos nossas energias para todos os lados, na tentativa de solucionar nossos problemas. Talvez os filhos dos profetas pudessem estar correndo pra todos os lados, procurando comida, cavando cisternas, mas não, eles estavam assentados na presença do profeta porque sabiam que das mãos do senhor é que viria a salvação.

Mas o que mais chamou minha atenção foi o que aconteceu a seguir, e eu pretendo centralizar a mensagem desse post neste fato, vamos ver:

“e disse ao seu servo: Põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas. Então um deles saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e colheu dela enchendo a sua capa de colocíntidas; e veio, e as cortou na panela do caldo; porque não as conheciam.”

Muitas são as implicações por trás dessa situação, e eu fiquei muito impressionado com o que vi aqui.

Percebam primeiro que, pela linguagem utilizada fica claro que Eliseu não foi obedecido em sua solicitação, e aqui temos mais alguns princípios espirituais sendo afirmados.

Quando Eliseu ordena que se busquem os materiais para a sopa, ele ordena “ao seu servo”. Entretanto nós podemos perceber que quem foi buscar os ingredientes foi “um deles”.

Geazi era o servo de Eliseu, mas um dos outros seguidores de Eliseu, um dos filhos dos profetas foi buscar as ervas. Tomo aqui a liberdade de estipular que Geazi teve dificuldades de obedecer. Geazi não quis buscar ervas para uma sopa, e eu me pergunto: porque?

Um dos filhos dos profetas disse “deixa comigo”, e ao tentar realizar a missão que era de Geazi, ele trouxe ervas envenenadas. Em um primeiro momento houve pânico. Então Eliseu, calmamente realiza o milagre, e todos podem comer a sopa.

Isso traz alguns princípios à tona:

Quando você deixa de realizar a missão que foi dada por Deus, isso não impede que outra pessoa realize essa missão em seu lugar, pois a vontade de Deus, com ou sem você, sempre será realizada.

Os problemas ou situações decorrentes da realização de uma missão, não acontecem porque a missão foi realizada da forma errada, mas porque a missão que Deus te dá serve para te ensinar alguma coisa.

Talvez se Geazi tivesse ido ele teria sido atacado por um leão, talvez se outro filho dos profetas tivesse ido ele teria sido assaltado por ladrões, e em todas essas situações a mão de Deus teria agido com o objetivo de cumprir a ordem do profeta: fazer a sopa.

Então não podemos assumir que o problema da sopa envenenada aconteceu porque Geazi se recusou a obedecer, pois isso seria atribuir a Geazi, ou a qualquer um de nós, a capacidade de prejudicar os planos de Deus.

Os planos de Deus nunca serão prejudicados por ninguém. O que aconteceu simplesmente, foi que Geazi abriu mão de seu aprendizado. Em vez disso um dos filhos dos profetas, que se habilitou, teve o seu aprendizado.

Ele aprendeu, cresceu, evoluiu, se tornou uma pessoa melhor nesse processo.

Isso traz outro princípio à luz: quando você se recusa a realizar uma missão dada por Deus, a única obra que você está prejudicando é aquela que ocorre na sua vida.

E pra encerrar, eu vou brincar um pouco, inventando coisas sobre Geazi. Ele estava ficando um tanto quanto exigente. Ele já havia visto Eliseu realizar os mais incríveis milagres.

Isso fez com que Geazi se tornasse presunçoso, no sentido de “cheio de pretensões”. Ele tentou fazer uma “pressão” em Eliseu. Porque afinal de contas, ele tinha acabado de ver Eliseu fazer multiplicar o azeite. E há pouco tempo, nestes mesmos tempos de fome, ele viu Eliseu fazer aparecer um urso por causa de uma provocação de vários garotos.

Ora, pensou Geazi, sopa? Porque temos que tomar sopa se Eliseu poderia fazer aparecer um urso aqui para fazermos um churrasco, e ainda temperá-lo com azeite?

Geazi havia presenciado tantos milagres, que agora se sentia contrariado quando o milagre que acontecia não era o de sua preferência, e muitas vezes nós também agimos assim.

Geazi estava sendo iludido por uma falsa sensação de escolha. Nós também muitas vezes nos deixamos iludir por uma falsa sensação de escolha.

Mas isso porque às vezes nós estamos com o foco errado. Ao realizar a missão dada por Deus nós nos consideramos os autores da obra, em vez de sermos gratos pelo privilégio do aprendizado oriundo da realização.

Quando você achar que pode escolher entre a sopa ou o churrasco, não esqueça que na verdade você está escolhendo entre a sopa ou a fome.