O Filme

Minha filha perguntava insistentemente: porque é tão difícil fazer um filme?

Eu respondia de diversas formas. Era difícil porque precisava de muitas pessoas. Era um trabalho muito grande. Muitas coisas precisavam ser feitas. Etc. Mas ela não ficava satisfeita com nenhuma resposta.

Até que, cansado do assunto, eu disse: você quer saber porque é tão difícil fazer um filme? O que você acha então de nós dois fazermos um filme? Vamos fazer um filme e então você verá a dificuldade que é.

Nesse momento, ao perceber como os olhos dela brilharam, e a forma como ela bradou “Vamos!”, eu percebi a enrascada em que havia me metido. Bastava responder as perguntas dela, mas não, agora eu teria que produzir um filme.

Então eu disse: a primeira que nós precisamos é de uma história. “Uma história?”, ela me perguntou curiosa. “Sim. Precisamos de uma história, senão vamos fazer um filme sobre o que?”.

Ficou combinado: ao chegarmos em casa, ela iria escrever a história. Eu me dei por convencido de que ela veria como é difícil escrever a história para um filme. Chegamos em casa, a primeira coisa que ela fez foi pegar um lápis, e um papel.

Em menos de trinta minutos, ela veio me entregar sorridente um papel com a história, e eu vou transcrever a seguir exatamente da forma como ela escreveu:

O Cão Soldado, que encontrou seu amor.

Há muitos e muitos anos atrás, havia um reino muito distante. Nesse reino havia soldados. E um dos soldados tinha um cão. Esse cão se chavama totó, mas os soldados o chamavam de Cão Farejador menos o seu dono.

Totó sempre sonhou em ter uma família, mas só havia ele como um cão, nunca encontrou uma cadela. Mas um dia eles foram guerrear contra um outro reino, e aí nesse outro reino havia uma cadela que tinha o mesmo sonho de Totó. Mas infelizmente eles não podiam ficar juntos porque seus reinos estavam em guerra. Então Totó tomou atitude e abriu espaço no meio da guerra e chamou Florzinha (a cadela).

Então eles começaram a latir sem parar (cada um para o seu reino é claro), os soldados não entendiam porque. Então Florzinha disse a Totó:

– Totó vamos latir enquanto damos as patas – (em cachorreis é claro) e então fizeram isso, e os soldados do reino de Florzinha entenderam o recado e deixaram ela ir com o reino de Totó.

Mas nossa história não acaba aqui. O reino de Totó achou que era um truque do outro reino e não deixou. Aí Totó atacou os soldados como se não houvesse amanhã. Aí os soldados deixaram a cadela ficar e eles viveram felizes para sempre!

Fim!

Ela escreveu a história, e eu fiquei com aquela lição aprendida: uma criança não está presa aos limites que os adultos estão. Agora temos a história, e podemos fazer um filme. De onde vem tanto perfeccionismo, tanta dificuldade, tanto empedimento? Como os adultos são complicados!!

“Naquela hora chegaram-se a Jesus os discípulos e perguntaram: Quem é o maior no reino dos céus? Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.”
Mateus 18:1-3

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Pátria Amada

Estou muito feliz, publiquei no Bookess (www.bookess.com) mais um livro. Agora já são dois, e eu sinto uma grande evolução em relação ao primeiro. Em breve vou solicitar revisão textual, e concorrer ao Selo Boa Escolha.

Este conto fala sobre uma história de amor, que aconteceu através de um jogo de Xadrez, em tempos de guerra.

Confira!

http://www.bookess.com/read/24076-patria-amada/