Brasil 2016 – Crise Econômica e Política

Para alguns que podem não estar compreendendo a crise econômica que o Brasil está vivendo, ou interpretando os fatos como apenas um movimento político, fiz um pequeno levantamento para que possa ficar claro que a questão, apesar de ter fortes variáveis e condicionantes políticos, além de muitas questões e influências externas dos setores público e privado e ainda de situações internacionais, é muito preocupante e precisa de atenção de todos nós cidadãos.

Não apresento com este post uma posição política ou opinião em relação ao impeachment, apenas uma visão dos fatos sobre o orçamento público, para nos alimentar com dados e números e aumentar a qualidade da nossa discussão.

Vamos começar entendendo um pouco melhor os termos.

  • Meta de Superavit: Significa a previsão de quanto dinheiro será economizado.
  • Superavit: Ao final do ano, saldo positivo depois de pagar todas as contas.
  • Déficit: Saldo Negativo.

Portanto, a Meta é a minha previsão de quanto eu pretendo economizar. O Superavit é quanto eu efetivamente economizei, e o Déficit é o saldo devedor, caso os gastos tenham sido superiores.

Exercício de 2014 (Ano de Eleições)

  • Em Fevereiro/2014 foi informada Meta (previsão) de Superavit de R$ 99.000.000.000,00.
  • Em Novembro/2014 foi informada Meta (previsão) de Superavit de R$ 10.000.000.000,00
  • Em Janeiro/2015 foi informado resultado, Déficit de R$ 32.000.000.000,00
  • Resultado do Ano de 2014 = Déficit -32 Bilhões.

Exercício de 2015

  • Em Novembro/2014, foi informada Meta de Superavit de 1,2% do PIB R$ 66.000.000.000,00.
  • Em Dezembro/2014 foi informada nova Meta de Superavit de R$ 55.000.000.000,00
  • Em Janeiro/2015 foi informado Meta de Superavit de R$ 55.200.000.000,00
  • Em Julho/2015 foi informado nova Meta de Superavit de R$ 8.000.000.000,00
  • Outubro/2015 é informado Deficit de R$ 53.000.000.000,00
  • Janeiro/2016 é oficializado Déficit de 116.000.000.000,00
  • Resultado do Ano de 2015 = Déficit -116 Bilhões

 

Histórico

Em sublinhado, os anos de eleições.

  • DILMA – Déficit ao final de 2015 R$ -116 Bilhões
  • DILMA – Déficit ao final de 2014 R$ -32 Bilhões
  • DILMA – Superavit ao final de 2013 R$ 91 Bilhões
  • DILMA – Superavit ao final de 2012 R$ 105 Bilhões
  • DILMA – Superavit ao final de 2011 R$ 128 Bilhões
  • LULA – Superavit ao final de 2010 R$ 101 Bilhões
  • LULA – Superavit ao final de 2009 R$ 64 Bilhões
  • LULA – Superavit ao final de 2008 R$ 118 Bilhões
  • LULA – Superavit ao final de 2007 R$ 101 Bilhões
  • LULA – Superavit ao final de 2006 R$ 90 Bilhões
  • LULA – Superavit ao final de 2005R$ 93 Bilhões
  • LULA – Superavit ao final de 2004 R$ 50 Bilhões
  • LULA – Superavit ao final de 2003 R$ 81 Bilhões
  • FHC – Superavit ao final de 2002 R$ 52 Bilhões
  • FHC – Superavit ao final de 2001 R$ 21 Bilhões
  • FHC – Superavit ao final de 2000 R$ 38 Bilhões
  • FHC – Superavit ao final de 1999 R$ 870 milhões
  • FHC – Superavit ao final de 1998 R$ 10 Milhões
  • FHC – Déficit ao final de 1997 R$ -900 Milhões
  • FHC – Déficit ao final de 1996 R$ -77 Milhões
  • FHC – Superavit ao final de 1995 R$ 190 Milhões

 

Fontes Pesquisadas

 

 

Política

É difícil falar de política. Primeiro porque é difícil mesmo, é uma questão complexa. E segundo porque é preciso ter um bom entendimento não apenas do seu atual contexto, mas também fazer uma boa análise histórica.

Não se pode simplesmente dizer “A Dilma afundou o Brasil” e coisas assim. Afundou como? Afundou porque? E foi mesmo a Dilma? Aliás o Brasil está afundado? Ela pegou o barco aonde? Dúvidas!

Nós vivemos em uma estrutura política complexa. Vivemos em um município, que faz parte de um estado, que faz parte de uma federação. Com isso nós temos um contexto político municipal, estadual e federal. Vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, governadores, senadores, ministros, presidente, ufa!

Quando você diz que o Brasil faz investimentos precários em infraestrutura, saúde e educação, está se referindo a qual desses contextos?

Tenho certeza que você dirá: os três. E aí começa mais uma complicação. Se todos os âmbitos políticos são insatisfatórios, já não dá pra atirar todas as pedras na presidente. Mas até hoje não foi feita uma passeata contra o Haddad ou contra o Alckmin. Digo isso porque não vejo “fora Haddad” nem “fora Alckmin”, mas vejo “fora Dilma”. Pelo menos não com a mesma força.

O problema só vai aumentando: quais insatisfações que você incorpora dentro do seu “fora Dilma”, deveriam ser “fora Haddad” ou “fora Alckmin”, e mais difícil ainda: como anda o governo de cada um?

Então surge a última das complicações que eu gostaria de expor aqui: não sabemos acompanhar a política, cobrar promessas, não sabemos o que fazer em relação a isso, e não sabemos votar direito. Mas sabemos que não está bom.

E o complicado é que tem muita coisa ruim. Se fosse só um pouco ruim, a gente ia dizer que tá ruim mas tá bom. Ou como dizia minha vó: se estiver tudo certinho não faz mal que esteja um pouquinho errado.

No fim das contas fica uma situação estranha. Eu sei que tá tudo ruim mas não sei direito o que está ruim e o que está bom, só sei que está piorando.