Liberdade de Consciência

O caminho da consciência é um caminho difícil de seguir. Envolve sacrifício. Mas não o sacrifício financeiro pregado pelos vigaristas. Sacrifício de existência. Você sacrificaria sua existência, pela existência do outro? Haja consciência.

A liberdade de consciência poderia ser também consciência plena, ou o caminho da consciência. São caminhadas, buscas, caçadas. Também poderia se chamar boas novas de salvação, pois foi exatamente isso que Jesus pregou. Se você é um cristão-tradicionalista já está sentindo comichões.

Jesus disse “eu sei de onde eu vim, e sei para onde eu vou”. E alguém com tamanha consciência só poderia dividir a história ao meio. Saber de onde veio, e para onde vai, é a definição pura de consciência. De si mesmo, dos outros, do mundo ao seu redor, dos valores importantes da vida. E se era isso que o Mestre ensinava, faz todo sentido.

É um caminho que exige compromisso com a verdade. Consciência plena de si mesmo exige notar como você realmente é, o que realmente pensa, como realmente se sente. E esta verdade – assim como as verdades em geral – não é bem aceita nos dias de hoje.

Liberdade de consciência é “coisa da nova era”? Pois então Jesus foi um arauto da nova era. Ele mesmo disse: conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Pra você que diz “cuidado com as palavras estranhas” eu digo: cuidado, a sabedoria está gritando de cima dos telhados e no meio das praças, ouça!

Liberte-se, faça um compromisso com a verdade, busque o caminho da consciência, Pense!

Valores Cristãos?

Certa vez, ouvi de um evangélico a seguinte observação:

“Deus ama o pecador, mas odeia o pecado.”

Essa é uma observação muito comum no meio religioso, quando um cristão/evangélico precisa justificar seus julgamentos sobre determinado assunto.

A frase que estou citando surgiu quando estávamos em uma conversa sobre homossexualidade. O argumento dessa pessoa veio com base nessa afirmação, onde ela buscou defender que Deus ama a todos, inclusive os homossexuais, mas não ama e nem pode compactuar com sua “conduta pecaminosa”.

Uma das coisas que me deixou mais curioso foi: Onde está esse versículo? Afinal, os cristãos/evangélicos se orgulham por ter suas atitudes baseadas “na palavra”. Infelizmente porém, esse versículo não existe e essa é apenas mais uma interpretação das escrituras que é amplamente utilizada pelos evangélicos sem questionamentos.

De qualquer maneira, existe algo nessa afirmação que chama minha atenção, quer o versículo exista ou não.

Observe cuidadosamente a situação e a frase.

“Eu não aceito a homossexualidade, porque a Bíblia diz que isso é errado. Eu não odeio o homossexual, eu não tenho raiva e nem preconceitos contra o homossexual. Eu apenas não compactuo com suas ações pecaminosas. Deus ama o pecador, mas odeia o pecado.”

Quando você usa algo ou alguém para defender uma posição pessoal, você obrigatoriamente está pegando emprestado para si mesmo o mesmo status desse algo ou alguém. Você está se colocando em pé de igualdade.  No caso acima, a pessoa está obrigatoriamente se colocando no mesmo patamar de Deus. Assim como Deus, eu também amo o pecador, e odeio o pecado.

E qual o problema? Não posso querer agir como meu Pai? Se você for evangélico ou cristão provavelmente está se perguntando isso.

E é neste ponto em que eu começo a me perguntar muitas coisas.

Existe todo um enorme conjunto de atitudes divinas, que são consideradas difíceis demais para serem imitadas. Deus, por exemplo, amou a todos os seres humanos acima de qualquer coisa, ao ponto de entregar seu único filho. Isso é muito difícil de fazer.

Deus é justo, e age com absoluta e total imparcialidade em qualquer situação. Deus é paciente, amoroso, compreensivo. Deus não faz as coisas esperando algo em troca, ele se importa com a sua felicidade. Deus sempre estende a mão ao aflito, sempre estende a mão ao pecador e ao necessitado. Isso tudo é muito difícil, para não dizer quase impossível de fazer.

Porém, em compensação, algumas das atitudes de Deus são muito fáceis de imitar. Deus odeia o pecado, então eu também odeio o pecado. Não posso ver um pecador na minha frente. Fico admirado quando as pesssoas pecam. Comento esse assunto como todos os meus irmãos santos em Cristo.

Deus não se envolve com o pecado, então eu também não me assento na roda dos escarnecedores. Não me misturo com os lascivos, idólatras e beberrões. Deus odeia o pecado, eu também odeio o pecado. Deus ama quem dá com alegria, eu também amo quem dá com alegria, me impressiono quando descubro que certo irmão deu uma generosa quantia para a igreja, quanta santidade! Deus odeia a mentira, eu também odeio a mentira. Se Deus odeia as obras da carne, eu também odeio as obras da carne.

Mas isso só se for na segunda ou terceira pessoa.

Eu jamais considero meus atos como atos pecaminosos. Aquele CDs e DVDs piratas que estão abarrotando as minhas estantes, não me incomodam. Aquelas mentirinhas que eu contei ao telefone não me incomoda. Aquele dinheirinho que eu deixo na carteira caso o guarda de trânsito pare o meu carro também não. Aquela visitinha que eu fiz naquele site pornográfico foi apenas um pequeno deslize.

O fato de eu ficar fofocando sobre a vida de outras pessoas, fazendo julgamentos e sentenciando as pessoas, também não me incomoda. O que me incomoda é saber que meu irmão pecou.

É incrível como um cristão/evangélico, que se diz seguidor de um mestre que sofreu todos os tipos de injustiça por amor das pessoas, levanta bandeiras com o nome dele escrito, veste camisetas com o nome dele escrito, frequenta comunidades com o nome desse mestre gravado em legras garrafais nas paredes, na primeira oportunidade que tem, se revolta contra pessoas que cometeram pecados, e as julga e sentencia com a velocidade da luz.

Isso é claramente um sinal da hipocrisia que predomina nesse meio.

Um verdadeiro seguidor de um mestre que jamais condenou ninguém, não condenaria ninguém. Um seguidor daquele que sofreu injustiças e ficou calado, sofreria injustiças e ficaria calado. Um seguidor daquele que quando alguém pedia emprestado ele dava, faria o mesmo.

Um seguidor daquele que amou a todos, também amaria. Um seguidor daquele que andava com as pessoas que eram consideradas da pior espécie, porque sempre acreditava no potencial delas em se tornarem pessoas melhores, faria o mesmo.

Mas  hoje é motivo de escândalo no meio evangélico, alguém pecar.

Os irmãos e irmãs da igreja, ficam escandalizados, levam as mãos à boca e comentam pelos corredores. Hipócritas.

E seria bom se parasse por aí, mas não é só isso.

A santidade desses irmãos é tão prejudicada pelo pecado alheio, que eles não conseguem nem louvar ao Senhor, veja só. Eles não suportam essa situação de pecado, e saem da igreja, procurando um lugar onde a santidade deles não seja tão atingida. Quanta santidade! Quanta unção! Quando poder do Espírito!

O pecado alheio incomoda tanto esses irmãos santificados, que para eles se torna até difícil buscar ao Senhor, num meio tão corrompido. Hipócritas.

Enquanto isso, as pessoas continuam precisando de ajuda, precisando ouvir uma palavra amiga, precisando de apoio em suas vidas. Precisando de alguém que lhes diga que tudo vai dar certo. Precisando de uma atitude pequena, mas que seja positiva.

Mas o cristão de hoje em dia está preocupado demais em manter sua estrutura religiosa funcionando, e não tem tempo de se preocupar com as pessoas e com o que elas estão sentindo. O meio evangélico é um meio que vive e sobrevive de aparências, se alimenta de status e reputação, e é tão vazio quanto a casca de um besouro.

Um meio onde as pessoas escondem seus pecados evidenciando os pecados dos outros.

Mas não podemos condenar as pessoas por agirem assim. Em primeiro lugar, porque não podemos condenar ninguém a nada. Em segundo lugar, porque não podemos ensinar durante décadas toda uma geração uma série de conceitos e valores errados, para depois criticar as pessoas que agora aprenderam e praticam esses valores.

Está na hora de pastores e líderes começarem a ensinar os valores corretos.

 

Hipocrisia: A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, idéias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. (Fonte: Wikipédia).