As Dificuldades

Há um texto na bíblia que diz: “… também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança …” Romanos 5:3,4.

Sempre fiquei um pouco incomodado com isso. Quem “se gloria” da tribulação?

Atravessar a tribulação é ruim demais, e ninguém gosta. Ninguém vê motivo nenhum para se “gloriar”. Nós temos vergonha da tribulação. São poucas as pessoas para quem nós abrimos nosso coração e dizemos o quanto estamos tristes, quando assim estamos. Como já disse um poeta ao afirmar “é proibido pensar”, eu também afirmo: “é proibido ficar infeliz”.

Felizmente sempre aparecem umas poucas pessoas, que mesmo sem dizer muita coisa confortam seu coração apenas com a presença delas.

O momento de dificuldade é um momento confuso, em que você não entende direito o que está atravessando, e não sabe direito o que quer. Se Deus aparecesse pra você e dissesse: “eu vim para livrá-lo da tribulação e para isso farei qualquer coisa, diga-me agora o que você quer”, será que você saberia exatamente o que responder? Certamente viriam efeitos catastróficos como conseqüências de ter seus desejos atendidos pelo gênio da lâmpada.

Talvez a melhor coisa a se fazer em relação à tribulação seja mesmo passar por ela. Atravessá-la. Sentir seus efeitos dentro de você. Muitas vezes a tristeza, naquelas noites sombrias em que seu coração parece que vai explodir dentro de você. Muitas vezes a angústia, a solidão, o desespero e a agonia.

Às vezes, porém, você sente seus músculos trabalhando. Seus músculos emocionais e espirituais. Você começa a se sentir mais forte. Você começa a se sentir mais acordado, mais vivo.

A tribulação é como uma onda. Você está no mar, a onda está vindo, e ela é grande e terrível. Primeiro você tenta nadar pra um lado, e ela vem e te leva pro fundo. Depois você tenta fugir nadando para a margem, ela pega você novamente e te leva para o fundo. Depois ela vem novamente e você num gesto de bravura irracional resolve enfrentá-la de frente com suas forças, e novamente ela leva você para o fundo. E cada vez que você vai para o fundo, você engasga, perde o ar, enrosca seus pés nas algas, bate seus joelhos nas pedras.

Até que você então resolve atravessar a onda. Ela vem em sua direção, grande e terrível. Você respira fundo, engole os seus medos, e mergulha na direção dela, bem no meio. Então ela passa direto por você. E você se sente aliviado. A onda passou.

Atravessar a dificuldade é como atravessar essa onda. Com coragem, respirando fundo, engolindo seus medos, e mergulhar na direção dela, bem no meio.

E vem uma nova onda, e você novamente passa por tudo aquilo de novo. Medo, preocupação. E começa seu exercício de paciência. Porque você atravessou uma onda. Mas as ondas não param. As ondas continuam, continuam, continuam. E nunca vão parar. E você atravessa uma, duas, três, mil. E elas continuam.

E a vida é assim, você precisa continuar atravessando. Continuar mergulhando. Até ficar perito em atravessar ondas, e começar a atravessar ondas cada vez maiores. E a cada onda maior e mais alta, um novo medo, e uma nova insegurança. E elas continuam vindo, e você precisa continuar.

Às vezes você se cansa de atravessá-las, e começa a tomar caldo novamente, porque você decidiu que não quer mais atravessar onda nenhuma, e resolve começar a boiar. Como se boiar na água fosse fazer as ondas pararem de vir.

No final, você recebe sua medalha. Não de campeão por chegar em primeiro lugar, mas de honra ao mérito por ter atravessado todas as dificuldades da vida.

Talvez seja isso então. Honra ao Mérito!

A Igreja

Por incrível que pareça ainda existem pessoas em dúvida sobre isso. Para esclarecer esse assunto de uma vez por todas, vou dar a seguir uma série de explicações curtas e fáceis de entender.

Igreja

Essa estrutura dominical religiosa, ou seja, ir à igreja aos domingos e cantar louvores, sentar e escutar alguém falar em nome de Deus, é um engano.

Dízimo

Pastores que pedem aos seus fiéis que deem o dízimo, por qualquer motivo que seja, ou são ignorantes ou mal-intencionados.

Não existe dízimo. Isso é uma mentira perpetuada. Pare de ser enganado.

Louvor e Adoração

Essa estrutura religiosa de preparar o povo para a palavra que vai ser ministrada é enganação e manipulação.

Louvor é íntimo, expontâneo e simples.

Adoração brota dentro de você, ministrada pelo próprio espírito quando ele assim o quer.

Pare de tratar Deus como um soberano psicótico.

Culto

Culto brota dentro de você, simples e singelo. Brota conforme a sabedoria multi-forme de Deus, através do Espírito Santo.

Ir ao mesmo lugar, com as mesmas pessoas, e repetir sempre o mesmo ritual é engano.

Você na praia com seus amigos sendo feliz é culto. Você no McDonalds com sua família é culto.

O que passa disso é engano e mentira.

Chega de mentira. Você pode ir a igreja quando quiser, e se não quiser ir nunca mais você pode também, e não haverá retaliações espirituais por causa disso.

Nunca mais deixe ninguém usar situações da vida para aprisionar você.

Conclusão

Pastores e estruturas religiosas aprisionam as pessoas, como as sanguessugas. Sem o fluxo de sangue delas eles não sobrevivem. Uma estrutura religiosa não sobrevive sem o seu trabalho gratuito, e sem o seu dinheiro. Você é um escravo espiritual.

Eles usam o medo para manter você aprisionado. Eles dizem: cuidado! Satanás está ao redor! Cuidado com as palavras estranhas! O inimigo anda disfarçado.

E com palavras assim eles levam milhões e milhões de pessoas simples, humildes ou simplesmente desavisadas, por um caminho de religiosidade.

Toda vez que alguém tentar usar o medo para convencer você a fazer qualquer coisa, lembre-se: o perfeito amor lança fora todo medo.

Já Procurou Jesus no Google?

Jesus havia morrido.

Mas o que muita gente não sabia, é que ele tinha ressuscitado. Estavam todos tristes, arrasados com a perda do seu Mestre. Um grupo de mulheres foi ao túmulo de Jesus, para passar perfume em seu corpo e chorar.

Quando chegaram lá encontraram o túmulo vazio, e ficaram atônitas, sem saber o que fazer.

Foi então que um Anjo do Senhor apareceu para elas, dizendo:

– Porque vocês procuram entre os mortos, aquele que vivo está?

E qual é a lição que eu e você podemos tirar disso?

Temos que aprender a procurar as coisas nos lugares certos. As mulheres estavam procurando entre os mortos, aquele que estava vivo. Você não vai encontrar Jesus no Google, no Facebook ou no Twitter, isso pra não mencionar certas “Igrejas” por aí.

Até hoje o túmulo de Jesus não foi encontrado, porque ele não está mais lá.

Porém não é só isso. Nossa vida é recheada de escolhas, e muitas delas erradas, mas o que você não vê muita gente dizendo por aí, é que nossa vida também é recheada de buscas erradas.

Pare e Pense: você está procurando as coisas no lugar errado?

A Hipocrisia do Malafaia

O Malafaia agora vai processar a empresa que abriu a petição para cassação do seu CRP.

É um hipócrita.

Ele vai para a televisão berrar que é contra a “prática” homossexual porque é isso que a Bíblia diz. Mas quando alguém ataca o calo dele, ele resolve processar.

Ora, existem mais coisas que “a Bíblia diz”. Ela diz que quando alguém te der um tapa no rosto, você deve dar a outra face (Lucas 6:29). Isso significa não fazer nada a respeito.

A Bíblia também diz que se alguém roubar o que é seu, para você não pedir ou buscar aquilo de volta (Lucas 6:30). Isso significa sofrer o dano.

A Bíblia também diz “bendizei os que vos maldizem” e “orai pelos que vos caluniam”, mas em vez disso o Malafaia vai meter os caras no pau.

Mas não pára por aí.

A Bíblia também condena a prática de levar as pessoas ao juízo do sistema, dizendo “ousa algum de vós tendo algum negócio contra outro ir a juízo perante os injustos” 1 Corintios 6:1 e “porque não sofreis antes o dano? Porque não sofreis antes a injustiça?” 1 Coríntios 6:7.

Como ficam essas coisas que a Bíblia diz, Sr. Malafaia?

Ah, mas já sei o que o Malafaia e outros evangélicos hipócritas vão dizer. Que para tudo tem um contexto.

Opa! Para tudo não, no caso dos homossexuais não tem contexto, daí é tudo literal.

HIPÓCRITAS!

Jesus Spielberg

Ultimamente andei pensando sobre os grandes e fantásticos eventos narrados na Bíblia, que sempre foram usados para falar sobre o grande poder de Deus. Em relação a isso, há algum tempo venho me fazendo algumas perguntas, algumas delas difíceis de entender, e algumas difíceis até mesmo de formular.

Já faz algum tempo que eu abandonei a idéia de tentar usar medidas humanas para definir o quão grande Deus pode (ou deve) ser. Pra mim todas essas definições são inúteis.

Por exemplo, na frase “Deus é onisciente”, estou dizendo que Deus é tão poderoso que é capaz de saber todas as coisas. Porém, quando você investiga o que são “todas as coisas”, você fatalmente cai na seguinte definição: Deus sabe de tudo o que vai acontecer. Ou você pode cair em qualquer variação disso, como: Deus conhece o passado, o presente e o futuro.

Neste ponto eu me pergunto: faz sentido essa definição?

Essa pergunta é valida, porque ao dizer que Deus é poderoso porque conhece o passado, o presente e o futuro, estou tentando mensurar o poder divino usando uma referência de poder humano. O que para “mim” seria incrivelmente poderoso em termos de onisciência? Conhecer o passado, o presente e o futuro de todas as coisas.

Deus então é onisciente porque sabe tudo isso. Porém a grande verdade é que nem para nós humanos existe uma definição consensual sobre o que o tempo significa e como ele acontece, e portanto menor ainda é nossa compreensão do que Deus entende como sendo o tempo. Por exemplo, para Deus o tempo pode ser simplesmente um estado absoluto onde tudo acontece ao mesmo tempo, ou ainda tudo isso que nós chamamos de “existência” pode ser apenas um pensamento que ocorre na mente de Deus.

A mesma coisa nós fazemos com os incríveis eventos bíblicos. Veja o que Deus fez, abriu o mar vermelho! Derrubou as muralhas de Jericó! Multiplicou os pães! Estamos medindo Deus com critérios humanos.

E então neste momento eu começo a me perguntar: é preciso que todos esses grandes eventos sejam verdadeiros para que eu possa acreditar em Deus? Deus precisa ser “humanamente grande” para que seja divinamente Deus?

Quando eu estudo a vida de Jesus e os princípios e valores que ele deixou para os homens, e quando eu paro pra pensar com honestidade nesses princípios, e na existência de Deus enquanto representação viva desses princípios, eu já não tenho mais necessidade de que ele tenha realmente aberto o mar vermelho para acreditar nele.

Me pergunto se não usaram (e continuam usando) todos esses incríveis eventos para criar em mim o mesmo efeito que os efeitos especiais de hollywood criam quando assistimos um filme.

E a partir desse momento então – do momento em que me liberto dessa dependência dos milagres – ninguém mais me aprisiona pelo sensacionalismo. Eu apenas entendo e concordo com o amor, e gasto minhas energias tentando aprender mais sobre ele, porque ele sim faz sentido.

A Bíblia diz: Deus é amor. Jesus disse: Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei (ao ponto de dar minha própria vida). Mas o que eu acho curioso é que essas palavras não são suficientes. Eu preciso dos efeitos especiais.

Preciso?

 

Convém?

Uma vez me perguntaram:

“É proibido ouvir música do mundo?”

Deixando de lado aqui a discussão do “o que é mundo?”, eu e você sabemos que a pessoa que faz essa pergunta quer saber se ela pode ouvir música que não é gospel.

É incrível como essa dúvida é uma dúvida comum. Normalmente esse assunto gera muita discussão. Os líderes religiosos um pouco mais sensatos não vão querer entrar em debates com um tema desnecessário como esse e vão usar discursos brandos e abstratos.

Alguns porém vão dizer que isso é proibido.

Um dia, uma evangélica me perguntou com um ar desafiador, quando eu tentei gerar uma discussão em torno disso: “essa música está louvando ao nome do Senhor?”

Eu não poderia dizer que sim, porque a música tinha visivelmente outras intenções. E não estou dizendo que eram intenções erradas, apenas que a música não tinha a intenção de louvar ao Senhor.

Esse argumento deixa você sem saída, porque se a música não glorifica ao nome do Senhor, você tem mais do que os argumentos que precisaria ter para dizer que não deve ouví-la.

Mas aí é que se encontra um engano muito comum. Eu não preciso ouvir apenas as músicas que glorifiquem o nome do Senhor. Eu posso ouvir outras músicas. Eu posso ouvir o que eu gosto de ouvir.

É um apelo muito comum do evangélico estabelecer que nós só podemos fazer as coisas que glorifiquem ao Senhor, e com isso determinar uma enorme lista de “isso pode” e “isso não pode”.

Porém, o evangélico parece não saber que não é em torno disso que nossa vida deve girar.

Abandone a discussão do “pode” e “não pode”.

Abandone os intermináveis  debates do “todas as coisas me são lícitas mas nem todas me convém”.

Muitas vezes o que “convém” está sendo determinado por interesses dos mais variados tipos, e você está achando que está obedecendo ao Senhor.

Você está sendo enganado por esse discurso.

Você pode ouvir as músicas que gosta.

Mas a pergunta que deveria existir aqui, não é se você “pode” ou “não pode”. A pergunta deveria ser: estou causando mal a alguém? Estou ferindo meu irmão? Estou ferindo meu próximo?

Em torno disso que nossa vida deveria girar.

Perguntas e Respostas

Essa é uma discussão sobre o evangelho, e de uma certa forma, sobre a religião. Ou, tentando definir melhor o assunto, estou aqui tratando de questões como cristianismo, religiosidade e sobre ser um seguidor de Cristo. Afinal, essa é a busca do Cristão: ser um seguidor de Cristo.

E essa busca vai um pouco além do simples “seguir” a Cristo, pois ele mesmo nos deixou indicado que seguí-lo implicaria no fato de viver como ele viveu. E é disso que estou falando aqui.

Sou profissional de TI, trabalho há muitos anos em uma consultoria, e tive a oportunidade de conhecer os mais diversos ambientes corporativos. Já participei de projetos nas maiores empresas do Brasil, e tive também o privilégio de fazer algumas viagens internacionais.

Essa bagagem profissional me deixa razoavelmente confortável pra dizer que algumas das minhas impressões sobre a visão do sistema a respeito da vida são concretas.

Uma delas é a total incompatibilidade do modo de vida que o sistema determina que você precisa ter, em relação ao modo de vida que era ensinado por Jesus. Uma das formas bem claras de enxergar isso estão nos princípios do sistema que definem o sucesso.

De imediato já poderíamos avaliar que para o sistema não importa que você tenha vida, o que importa é que você tenha sucesso, mas essa é uma outra discussão e por enquanto vamos deixar as implicações dessa questão de lado.

Hoje eu me faço a seguinte pergunta: é possível viver da forma como Jesus vivia?

Para viver como ele viveu, seria necessário enxergar as coisas através da ótica de Jesus. Mas como fazer isso, se cada um de nós possui sua própria ótica? Cada pessoa é diferente, e enxerga as coisas de uma forma. Ainda que seja possível aprender coisas com Jesus, ou seja, absorver um pouco de sua ótica, nós ainda estaríamos agindo através de uma ótica pessoal – ainda que modificada.

E temos ainda um outro problema em relação a isso. Jesus não está mais fisicamente entre nós, e não está mais facilmente acessível, como era antes, quando caminhava por aqui. Todas as formas de acesso a Jesus hoje estabelecidas pelos nossos conceitos cristãos são muito abstratas e de difícil definição.

Se isso não fosse assim, nós poderíamos simplesmente perguntar: Jesus o que eu faço com essa situação? E ele nos daria uma resposta. Quem sabe até nos daria uma parábola como resposta, mas pelo menos teríamos algo com que trabalhar. Mas hoje, quando fazemos essa oração “Jesus o que eu faço com essa situação?”, não há uma voz ou parábola em resposta.

Eu tenho razões para acreditar que há uma saída para esse dilema, e que ela pode ser encontrada de forma bem concreta, como uma consequência do “está consumado” de Jesus.

Minhas razões se baseiam nos seguintes pensamentos:

Pensamento 1

O fato de que eu não sei a resposta para uma determinada situação, não obrigatoriamente implica no fato de que essa resposta não exista, ou seja, a minha ignorância em relação a determinada situação não representa a ignorância do mundo ou de Deus.

Isso nos tira de uma situação onde não há una resposta para nossas perguntas, e nos coloca em uma situação onde na verdade precisamos buscar onde está essa resposta.

Esse pensamento transforma a solidão de um beco sem saída, na perseverança de uma caminhada.

Pensamento 2

Para obter a resposta para um determinado problema, você não precisa que o autor da resposta se materialize diante de você.

Isso é muito simples de provar. Hoje nós vivemos nossa vida quase integralmente fundamentada em respostas sugeridas por pessoas que não estão mais presentes. Equações matemáticas, conceitos diversos de história, física, químia, biologia, filosofia e em todas as áreas da nossa vida foram deixados por pessoas que não estão mais aqui, e ainda assim esses conceitos resolvem nossos problemas diariamente.

E não há nenhum desamparo da parte de Deus nisso. Isso representa sobretudo a incrível competência de Deus.

Um professor que precisa conduzir seu aluno pela mão pessoalmente desde seu nascimento até sua morte aos cem anos de idade, ou não está fazendo um bom trabalho, ou possui um aluno com sérias dificuldades intelectuais.

Levando em consideração que nós mesmos fomos criados por Deus, eu não posso crer que ele nos fez incapazes mentalmente, e também não posso crer que Deus é incompetente.

Eu não preciso, portanto que Deus apareça e me responda orações pessoalmente ou com sua voz, dado todo o cenário completo de possibilidades deixado por seus ensinamentos.

Esse pensamento me aproxima genuinamente de Deus e das pessoas.

Esse pensamento me aproxima de Deus de forma genuína, pois a partir do momento em que eu deixo de olhar para Deus como uma estante onde eu procuro apenas encontrar a solução para os meus problemas, eu abro a possibilidade para me relacionar com ele pela amizade que nós poderíamos construir.

Esse pensamento também me aproxima de forma genuína das pessoas, pois é através do relacionamento em amor com elas que minha caminhada perseverante se torna mais amena, e é por intermédio delas que Deus responde a várias das minhas questões.

Pensamento 3

Se o homem é capaz de perpetuar com fidelidade satisfatória princípios científicos e filosóficos, também preciso considerar que é capaz de perpetuar com a mesma fidelidade satisfatória princípios religiosos ou fatos históricos relacionados.

Isso me deixa mais à vontade para considerar os registros deixados sobre a vida de Jesus, no mínimo em sua essência.

Deixando a discussão sobre exageros dos relatos ou situações místicas à parte, é um fato irrefutável por todos que a vida de Jesus foi fundamentada e vivida no amor.

E isso é não apenas incrível, como lindíssimo.

Veja que coisa maravilhosa: Todos os milagres e incríveis manifestações de Jesus são questionáveis tanto cientificamente quanto por questionar-se fidedignidade dos relatos, com exceção do maior deles e do único que realmente faz diferença em nossas vidas, que foi o fato de Jesus ter vivido uma vida completamente baseada no amor.

Esse pensamento me ajuda a acreditar no que foi deixado escrito sobre a vida de Jesus, não como uma forma de me oprimir ou oprimir os outros com inúmeras regras a serem seguidas, mas como uma forma de que existe um exemplo a ser seguido, e ainda mais: é possível seguir esse exemplo pois ele foi deixado por outro ser humano.

Considerado então as implicações desses três pensamentos, eu diria que é possível sim viver como Jesus viveu. É necessário antes de mais nada saber como ele viveu, como ele costumava agir, e existem relatos suficientes sobre isso.

É necessário também estar preparado para ser prejudicado, pois Jesus demostrou que não é possível fazer o bem, sem sofrer o mal.

Mas antes de fazer uma lista interminável de todas as coisas que seriam necessárias, poderíamos apenas deixar e perpetuar um único ensinamento, que reúne em si mesmo todas os mistérios, respostas, valores e princípios:

“Um novo mandamento vos dou: Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Nisto todos conhecereis que sois meus discípulos. “Joao 13:34,35

Sopa ou Churrasco?

Estive lendo um dia desses um texto que me deixou muito intrigado.

Eu acho muito divertido quando consigo detectar certos mistérios escondidos nos textos bíblicos e nessas horas ler a bíblia se torna uma aventura, uma exploração de terras desconhecidas.

O texto fala de quando Eliseu estava com seus discípulos em Israel, durante um tempo de fome, e ele manda um de seus servos buscar ingredientes para fazer uma sopa. O servo pega os ingredientes errados, e acaba jogando veneno na sopa. Eliseu então intervém e cura a sopa milagrosamente de seu veneno.

Eis o texto:

2 Reis 4:38-41

“E, voltando Eliseu a Gilgal, havia fome naquela terra, e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença; e disse ao seu servo: Põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas.
Então um deles saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e colheu dela enchendo a sua capa de colocíntidas; e veio, e as cortou na panela do caldo; porque não as conheciam.
Assim deram de comer para os homens. E sucedeu que, comendo eles daquele caldo, clamaram e disseram: Homem de Deus, há morte na panela. Não puderam comer.
Porém ele disse: Trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: Dai de comer ao povo. E já não havia mal nenhum na panela.”

A primeira coisa que eu percebo no texto é a revelação talvez de um principio espiritual. Revelação não no sentido de “descoberta”, pois não é um princípio novo nem desconhecido, mas no sentido de “afirmação”, ou seja, o texto reforça e encoraja o cristão a seguir um princípio básico ao atravessar suas dificuldades.

Vamos analisar o texto:

“E, voltando Eliseu a Gilgal, havia fome naquela terra, e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença”

Havia fome na terra. Fome aqui representa a tribulação. Havia dificuldade sobre a terra, sobre a vida das pessoas. Mas havia também esperança, pois havia a presença do homem de Deus, do profeta do Senhor.

“Os filhos dos profetas estavam na sua presença.”

Aqui se re-afirma o princípio: o melhor lugar para você estar, no tempo da tribulação, é na presença do Senhor. Aqui a presença do profeta representa a presença de Deus.

Em tempos de dificuldade, direcionamos nossas energias para todos os lados, na tentativa de solucionar nossos problemas. Talvez os filhos dos profetas pudessem estar correndo pra todos os lados, procurando comida, cavando cisternas, mas não, eles estavam assentados na presença do profeta porque sabiam que das mãos do senhor é que viria a salvação.

Mas o que mais chamou minha atenção foi o que aconteceu a seguir, e eu pretendo centralizar a mensagem desse post neste fato, vamos ver:

“e disse ao seu servo: Põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas. Então um deles saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e colheu dela enchendo a sua capa de colocíntidas; e veio, e as cortou na panela do caldo; porque não as conheciam.”

Muitas são as implicações por trás dessa situação, e eu fiquei muito impressionado com o que vi aqui.

Percebam primeiro que, pela linguagem utilizada fica claro que Eliseu não foi obedecido em sua solicitação, e aqui temos mais alguns princípios espirituais sendo afirmados.

Quando Eliseu ordena que se busquem os materiais para a sopa, ele ordena “ao seu servo”. Entretanto nós podemos perceber que quem foi buscar os ingredientes foi “um deles”.

Geazi era o servo de Eliseu, mas um dos outros seguidores de Eliseu, um dos filhos dos profetas foi buscar as ervas. Tomo aqui a liberdade de estipular que Geazi teve dificuldades de obedecer. Geazi não quis buscar ervas para uma sopa, e eu me pergunto: porque?

Um dos filhos dos profetas disse “deixa comigo”, e ao tentar realizar a missão que era de Geazi, ele trouxe ervas envenenadas. Em um primeiro momento houve pânico. Então Eliseu, calmamente realiza o milagre, e todos podem comer a sopa.

Isso traz alguns princípios à tona:

Quando você deixa de realizar a missão que foi dada por Deus, isso não impede que outra pessoa realize essa missão em seu lugar, pois a vontade de Deus, com ou sem você, sempre será realizada.

Os problemas ou situações decorrentes da realização de uma missão, não acontecem porque a missão foi realizada da forma errada, mas porque a missão que Deus te dá serve para te ensinar alguma coisa.

Talvez se Geazi tivesse ido ele teria sido atacado por um leão, talvez se outro filho dos profetas tivesse ido ele teria sido assaltado por ladrões, e em todas essas situações a mão de Deus teria agido com o objetivo de cumprir a ordem do profeta: fazer a sopa.

Então não podemos assumir que o problema da sopa envenenada aconteceu porque Geazi se recusou a obedecer, pois isso seria atribuir a Geazi, ou a qualquer um de nós, a capacidade de prejudicar os planos de Deus.

Os planos de Deus nunca serão prejudicados por ninguém. O que aconteceu simplesmente, foi que Geazi abriu mão de seu aprendizado. Em vez disso um dos filhos dos profetas, que se habilitou, teve o seu aprendizado.

Ele aprendeu, cresceu, evoluiu, se tornou uma pessoa melhor nesse processo.

Isso traz outro princípio à luz: quando você se recusa a realizar uma missão dada por Deus, a única obra que você está prejudicando é aquela que ocorre na sua vida.

E pra encerrar, eu vou brincar um pouco, inventando coisas sobre Geazi. Ele estava ficando um tanto quanto exigente. Ele já havia visto Eliseu realizar os mais incríveis milagres.

Isso fez com que Geazi se tornasse presunçoso, no sentido de “cheio de pretensões”. Ele tentou fazer uma “pressão” em Eliseu. Porque afinal de contas, ele tinha acabado de ver Eliseu fazer multiplicar o azeite. E há pouco tempo, nestes mesmos tempos de fome, ele viu Eliseu fazer aparecer um urso por causa de uma provocação de vários garotos.

Ora, pensou Geazi, sopa? Porque temos que tomar sopa se Eliseu poderia fazer aparecer um urso aqui para fazermos um churrasco, e ainda temperá-lo com azeite?

Geazi havia presenciado tantos milagres, que agora se sentia contrariado quando o milagre que acontecia não era o de sua preferência, e muitas vezes nós também agimos assim.

Geazi estava sendo iludido por uma falsa sensação de escolha. Nós também muitas vezes nos deixamos iludir por uma falsa sensação de escolha.

Mas isso porque às vezes nós estamos com o foco errado. Ao realizar a missão dada por Deus nós nos consideramos os autores da obra, em vez de sermos gratos pelo privilégio do aprendizado oriundo da realização.

Quando você achar que pode escolher entre a sopa ou o churrasco, não esqueça que na verdade você está escolhendo entre a sopa ou a fome.