Medo

Uma música maravilhosa, uma verdadeira poesia, trazida até nós pelo Jota Quest diz assim:

“Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada”

Faço questão de sugerir que se você não conhece, escute essa música: http://www.youtube.com/watch?v=wPBFZldSsMI

Um dia eu estava lendo um texto da Bíblia, e me deparei com Jesus dizendo pra uma pessoa: “não temas”. Curioso, comecei a varrer as narrativas sobre Jesus, e em diversas ocasiões Jesus dizia: “não temas”. Não temas, dizia Jesus. Em outras palavras: Não tenha medo. É curioso como Jesus fazia questão de deixar claro que a pessoa não precisava ter medo.

Vamos ser honestos, e reconhecer que neste exato momento estamos pensando que esse discurso que estamos lendo se trata de um incentivo a não temer as situações da vida e crer em Deus. A não temer o que o “inimigo” tenta fazer contra nós.

Mas esta reflexão não é sobre isso.

Esta reflexão é um chamado para que você comece a analisar aquilo que você ouve, e preste atenção se você não vem dando atenção ao medo. É nesta hora que esta poesia do Jota Quest se torna uma dádiva, porque ela te convoca a não dar ouvidos ao medo.

Mais precisamente, a não dar ouvidos aos discursos que propagam o medo. Onde existe medo não existe amor. Se o discurso que você vem ouvindo e aceitando é baseado no medo, você pode ter certeza de que ali não há amor. E se Deus é amor, então ali também não há Deus.

Se você está em dúvida sobre como detectar um discurso baseado no medo, vou te dar um exemplo.

Um dia eu ouvi uma mãe conversando com seu filho. Ela perguntou ao filho: “você já falou com Jesus hoje filho?”. A criança, de 5 anos de idade, em toda sua honestidade respondeu: “hoje não estou com vontade”. A mãe respondeu para ele: “você é quem sabe filho. Lembre-se da história de Noé. Eu já estou do lado de dentro da Arca. Você é quem sabe de que lado você quer ficar, quando a porta fechar”.

Qual é a idéia que uma criança que cresce ouvindo este tipo de discurso vai fazer de Deus quando crescer? E qual é a imagem que esta criança vai fazer do tal Jesus com quem ela tem que falar, caso contrário vai para o Inferno?

Portanto hoje eu te chamo para lutar contra o medo. Mas não contra o medo das situações da vida, ou contra o medo do que o “inimigo” possa fazer contra você.

Vamos lutar contra o medo que estamos ouvindo e propagando.

“No amor não há medo, antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” 1 João 4:18

Evangélicos Anônimos

O primeiro passo para curar uma doença é você reconhecer seu problema.

Eu já tinha reconhecido há muito tempo que precisava de ajuda, mas tinha vergonha de pedir e não sabia a quem recorrer.

Foi um dia quando vi o anúncio no jornal “Evangélicos Anônimos – se você sofre problemas pessoais e familiares por causa deste mal que aflige a tantas pessoas, e não sabe a quem recorrer, venha para nossas reuniões. Aqui você encontrará amigos e um espaço onde você pode ser quem realmente é. Não se envergonhe, vamos ajudar você a lutar!”

Primeiro eu achei que fosse uma piada, mas resolvi ligar. A pessoa que me atendeu foi muito educada, me passou todos os dados sobre a reunião e disse que eu seria muito bem vindo.

Curiosamente ela não fez nenhum tipo de pressão. Resolvi aparecer, na hora e no local marcado. Não havia ninguém na porta, apenas um aviso “Evangélicos Anônimos – Entre sem Bater”.

Entrei devagar e tentando não ser notado. Era um auditório pequeno, para umas cinqüenta pessoas em um prédio comercial.

Havia lá dentro umas vinte e cinco pessoas, e lá na frente um rapaz bem magro de óculos juntando umas folhas de papel sobre uma mesa. Sentei uma fileira para trás da última pessoa.

As 19:00 horas em ponto o rapaz pegou o microfone, e começou a falar.

“Boa noite pessoal! Meu nome é Gualberto, sou evangélico há 20 anos e estou limpo há 25 meses! Não sei o que é pior, sofrer de religiosidade aguda ou se chamar Gualberto não é mesmo heheheh…!”

Ninguém riu da piadinha do Gualberto.

“Muito bem pessoal”, ele continuou, “esta é a nossa terceira reunião e eu vejo que vocês ainda estão muito tímidos.”

“Eu vou explicar mais uma vez para todos como as coisas funcionam, porque é sempre bom lembrar!”, ele continuou,”se você veio até aqui, é porque precisa de ajuda com um problema muito sério. Todos nós aqui presentes sabemos qual é o problema, mas a nossa dificuldade é saber o que fazer.”

“Se você está aqui, já deu um importante passo, o de reconhecer o seu problema. Agora você precisa aprender algumas coisas. E qual é a primeira coisa que precisamos aprender pessoal?”

Ele fez aquela entonação de quem esperava uma reposta do auditório. Em resposta houve um burburinho inaudível.

O clima lá dentro, entre as pessoas, era muito agradável, mas elas ainda estavam um pouco tímidas.

“Não estou ouvindo gente!”, disse o simpático e esforçado Gualberto. Se eu soubesse a resposta até teria tentado ajudar.

A reposta foi um burburinho um pouco mãos alto, e eu só consegui entender que “não existia ” alguma coisa.

“Isso pessoal!”, disse o Gualberto. “Não existe Ex-evangélico! Estamos todos sob vigilância!”

A reunião prosseguiu e foi ficando mais animada e mais interessante. Gualberto explicou alguns princípios básicos e algumas coisas que precisávamos decorar que iriam nos ajudar na caminhada.

Ele criou um conceito bem divertido. Chamou a todos nós de Viajantes e disse que agora ia ficar de olho na nossa viagem, pra nos ajudar a viajar em segurança. Achei isso bem reconfortante pra ser sincero.

A idéia de ter uma pessoa olhando para mim com a intenção de me ajudar a viver era muito mais agradável do que a idéia de ter um deus olhando para mim e registrando minhas ações para me levar ao inferno.

Passados os primeiros vinte minutos o frio foi embora e as pessoas começaram a rir e interagir mais com a reunião.

Em um determinado momento o Gualberto disse:”agora, como todos nós percebemos temos uma pessoa aqui pela primeira vez! como é seu nome jovem?”, e apontou pra mim.

Nessa hora eu gelei. Já estava aceitando a idéia de que ninguém tinha me notado ali.

“Meu nome é Filipe….”, eu disse desconcertado.

“Venha aqui na frente e diga pra nós o seu problema, Filipe”

O que? Não! Fiquei sem saber o que responder mas eu não queria ir lá na frente.

De repente a mulher que estava sentada na minha frente sorriu pra mim e disse “vai lá Filipe”.

O cara do lado dela também olhou pra trás “não se preocupe Filipe, todos já passamos por isso.”

Eu acabei cedendo, e fiquei completamente surpreso com o que aconteceu a seguir.

Conforme eu ia descendo o auditório pra ir lá na frente as pessoas começaram a dizer meu nome alto, com palavras de incentivo do tipo “é isso aí Filipe!”, “é isso aí meu!”, e coisas assim.

A sensação foi tão incrível que eu comecei a rir.

Parei lá na frente, peguei o microfone meio sem graça, e olhei pro auditório por uns dois segundos e de repente um grito do meio do auditório quebra o silencio “vai lá Filipão!!”, e todos caíram na gargalhada, até o Gualberto.

Eu disse finalmente “bem… Meu nome é Filipe… é… sou evangélico, bem, desde que nasci…. Estou limpo há … Hum … umas 6 semanas … nao consigo falar muito sobre isso ainda.”

Entreguei o microfone.

No meio da multidão o cara que gritou meu nome começou a bater palma. De repente todos estavam batendo palma, e todos se levantaram. Eu não sabia como reagir, e olhei pro Gualberto e ele estava batendo palma e chorando!

Ele veio até mim e espalhou as lagrimas dele no meu pescoço num abraço apertado, e disse “eu te amo cara.”

“Eu te amo cara!!”, alguém gritou na multidão, e todos começaram a aplaudir e assobiar como se eu tivesse dado um show.

Depois o Gualberto pegou o microfone.

“Eu costumava ouvir que cada vez que alguém se convertia, os anjos faziam festa no céu.”, ele disse. “Pois aqui, toda vez que alguém vier até a frente, reconhecer seus problemas e limitações e nos presentear com um olhar e um sorriso, nós é que fazemos a festa.”

“E isso antes era meio estranho pra mim. Hoje eu me emociono, porque hoje eu percebo como é maravilhoso um ser humano ter um contato sincero com outros seres humanos”.

Eu jamais havia presenciado nada igual. Não havia música, e não havia ninguém soltando sílabas incompreensíveis, não havia ninguém berrando apelos no microfone. Aquelas pessoas estavam mesmo felizes comigo. Eu também nunca tinha escutado tantas vezes o meu próprio nome, dito de forma tão sincera.

Aquele “vai lá Filipe” ficou na minha mente, e sempre que eu achava que não ia conseguir alguma coisa, eu o escutava novamente.

Depois disso mais duas pessoas foram lá na frente e contaram seus casos, e todos foram recebidos da mesma forma, com o mesmo incentivo.

Até eu arrisquei uns gritos “vai lá Manoel!!”, e achei simplesmente o máximo fazer isso. Impulsionar as pessoas é muito mais gratificante do que derrubá-las.

A reunião acabou, e eu fui pra minha casa, com bastante coisa pra pensar.

Para a próxima reunião o Gualberto prometeu uma presença ilustre, e ficamos todos nos perguntando quem seria.

Fim!

Olhos bons?

Fiz um quadro, uma imagem, dedicado a refletir sobre toda essa questão das mensagens subliminares.

Às vezes eu me pergunto, se no final o que importa não é o que está escrito em um papel, e sim o que meus olhos enxergam nele.

Existem pessoas que não importa pra onde olham, em tudo elas enxergam alguma coisa negativa.

A Bíblia diz em Mateus 6: 22 e 23 ” A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!”

Quero mostrar a imagem a você, e não vou tirar nenhuma conclusão, só espero que você pense.

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