Jesus Spielberg

Ultimamente andei pensando sobre os grandes e fantásticos eventos narrados na Bíblia, que sempre foram usados para falar sobre o grande poder de Deus. Em relação a isso, há algum tempo venho me fazendo algumas perguntas, algumas delas difíceis de entender, e algumas difíceis até mesmo de formular.

Já faz algum tempo que eu abandonei a idéia de tentar usar medidas humanas para definir o quão grande Deus pode (ou deve) ser. Pra mim todas essas definições são inúteis.

Por exemplo, na frase “Deus é onisciente”, estou dizendo que Deus é tão poderoso que é capaz de saber todas as coisas. Porém, quando você investiga o que são “todas as coisas”, você fatalmente cai na seguinte definição: Deus sabe de tudo o que vai acontecer. Ou você pode cair em qualquer variação disso, como: Deus conhece o passado, o presente e o futuro.

Neste ponto eu me pergunto: faz sentido essa definição?

Essa pergunta é valida, porque ao dizer que Deus é poderoso porque conhece o passado, o presente e o futuro, estou tentando mensurar o poder divino usando uma referência de poder humano. O que para “mim” seria incrivelmente poderoso em termos de onisciência? Conhecer o passado, o presente e o futuro de todas as coisas.

Deus então é onisciente porque sabe tudo isso. Porém a grande verdade é que nem para nós humanos existe uma definição consensual sobre o que o tempo significa e como ele acontece, e portanto menor ainda é nossa compreensão do que Deus entende como sendo o tempo. Por exemplo, para Deus o tempo pode ser simplesmente um estado absoluto onde tudo acontece ao mesmo tempo, ou ainda tudo isso que nós chamamos de “existência” pode ser apenas um pensamento que ocorre na mente de Deus.

A mesma coisa nós fazemos com os incríveis eventos bíblicos. Veja o que Deus fez, abriu o mar vermelho! Derrubou as muralhas de Jericó! Multiplicou os pães! Estamos medindo Deus com critérios humanos.

E então neste momento eu começo a me perguntar: é preciso que todos esses grandes eventos sejam verdadeiros para que eu possa acreditar em Deus? Deus precisa ser “humanamente grande” para que seja divinamente Deus?

Quando eu estudo a vida de Jesus e os princípios e valores que ele deixou para os homens, e quando eu paro pra pensar com honestidade nesses princípios, e na existência de Deus enquanto representação viva desses princípios, eu já não tenho mais necessidade de que ele tenha realmente aberto o mar vermelho para acreditar nele.

Me pergunto se não usaram (e continuam usando) todos esses incríveis eventos para criar em mim o mesmo efeito que os efeitos especiais de hollywood criam quando assistimos um filme.

E a partir desse momento então – do momento em que me liberto dessa dependência dos milagres – ninguém mais me aprisiona pelo sensacionalismo. Eu apenas entendo e concordo com o amor, e gasto minhas energias tentando aprender mais sobre ele, porque ele sim faz sentido.

A Bíblia diz: Deus é amor. Jesus disse: Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei (ao ponto de dar minha própria vida). Mas o que eu acho curioso é que essas palavras não são suficientes. Eu preciso dos efeitos especiais.

Preciso?

 

Vênus

Na última terça-feira, Vênus passou entre a Terra e o Sol, em um evento que só vai se repetir em 2117.

Vênus também é o nome da deusa romana do Amor, o equivalente a Afrodite dos gregos.

Quem sabe o banho de raios solares que atravessou Vênus, o planeta do amor, chegue à Terra e traga um pouco mais de amor ao nosso planeta.

O Vídeo abaixo dá uma idéia da grandiosidade desse evento.