Qualidades Humanas

O ser humano é incrível.

Acho que um dos piores erros do Cristianismo Evangélico é toda essa herança de “o ser humano é mau, ruim, podre, sujo”.

Eu já fui adepto desse pensamento. Nossa como sou pecador! Nossa como sou isso! Como sou aquilo! Como não sou merecedor de nada!

Epaaaaa!!

Calma lá!

Muito cuidado, mas muito cuidado mesmo, porque debaixo dessa pseudo-humildade, se esconde um perigo terrível. Pseudo-humildade, porque essa é uma cultura pregada e propagada, mas não é vivida e nem praticada. O evangélico não se acha o pior dos piores dos seres humanos, ele na verdade se sente é muito superior.

Deus, quando criou o homem, olhou e viu que era Bom. Ele disse: É bom. Se Deus disse que é bom, porque eu vivo dizendo que é ruim? É Deus quem está dizendo. Em Gênesis 1:31, está escrito “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom”. Muito bom!

E vou te confessar uma coisa, eu concordo com Deus!

E pra citar um exemplo, vou contar um fato que me ocorreu. Eu estou em uma viagem para Israel, a Terra Santa. Porém estou em Tel Aviv e não em Jerusalém.

A maioria de nós já percebeu que agora o YouTube está colocando propagandas em alguns vídeos. Você assiste a propaganda se quiser, porque em 5 segundos aparece um link pra fechar.

Pois bem, eu estava aqui em Tel Aviv, e entrei no YouTube, uma coisa que eu costumo fazer com frequência, e fui assistir a um vídeo. Na mesma hora apareceu uma propaganda. Quando eu ia clicar em fechar, eu fiquei curioso pra continuar vendo e assisti até o final.

É uma propaganda da Pepsi Max, um energético da Pepsi, feita por um Dj BeatBoxer de Israel*, e cantada em hebraico. O que eu vi foi totalmente Gênesis 1:31 (muito bom).

O objetivo da propaganda era mostrar como você fica energizado com a Pepsi Max, e o Dj conseguiu exprimir isso muito bem, com uma representação perfeita. Ele faz caras e bocas, e expressões faciais hilárias.

Mas o mais impressionante de tudo é o que ele consegue fazer apenas juntando a própria voz, e sua criatividade. Nenhum dos sons que ele produziu são impossíveis de repetir, eu e você conseguimos fazer cada um daqueles sons.

Mas a criação dessa música, usando apenas a voz, foi  Gênesis 1. Ele conseguiu criar coisas muito boas, a partir do nada.

Depois de algum tempo pesquisando – porque era um vídeo israelense – eu 0 encontrei e posto aqui pra vocês.

Enjoy!!

* Não tenho certeza dessas informações, isso foi o que eu entendi, mas isso não diminui em nada o vídeo.

O Mosteiro da Vila Esperança

Era uma noite fria e escura e as estrelas quase não apareciam no céu.

Ao longe, a única luz que era possível enxergar era a da lanterna da torre do mosteiro do Padre Antonio. Assim terminava o outono na Vila Esperança, um lugar comum no meio do nada.

Em meio à quietude da noite fria, um choro se ouviu no mosteiro.

Distante muitos dias e muitas noites de viagem da cidade mais próxima, a Vila Esperança recebeu esse nome de um velho Português, que um dia resolveu se estabelecer ali no meio do mato.

Cansado de tentar aventuras na corte portuguesa, e ainda mais cansado de desbravar as matas brasileiras, decidiu ficar por ali com todos os seus bens e criados, próximo da primeira nascente que encontrou em meio a Serra do Mar. Depois de muito tempo, o velho Português começou a ser carinhosamente apelidado de Portuga.

A Vila Esperança, pelo seu porte, mais parecia uma aldeia. Umas poucas casas aqui e ali, um casarão com muitos quartos próximo à nascente, e ao lado dele o velho mosteiro. A vila tinha por volta de uns 90 habitantes, talvez um pouco mais. A verdade era que ninguém se incomodava de contar.

Sem nenhuma atividade agrícola ou rural, e sem a menor atividade econômica, Vila Esperança servia apenas como moradia para seus habitantes, que cuidavam cada um de suas próprias vidas, e como um ponto de descanso para aqueles que se aventuravam pela Mata Atlântica.

Para esses aventureiros insólitos, o único lugar onde poderiam descansar um pouco era uma casa conhecida localmente como casarão. O dono do casarão alugava um de seus quartos, sempre a troco de quase nada em dinheiro, ou algum objeto de valor.

Nabuco José Joaquim da Silva. Até hoje ninguém sabe se é verdade, mas era assim que Nabucão, como as pessoas da vila o chamavam, soletrava seu nome completo nos dias de verão, quando ficava sentado à frente do casarão tomando a água que o passarinho não bebe, e que ele mesmo fabricava.

Inventava de servir aos seus visitantes – quem quer que fosse – uma comida muito gordurenta que segundo ele era muito usada pelos Bandeirantes nas incursões pelas matas e que segundo ele, sustentava um homem “por muitos meses”. Ele sempre afirmava que ele mesmo a comia e servia para suas duas filhas. Ao que parece, pelo tamanho das duas, era verdade.

O Mosteiro era administrado pelo Padre Antônio, e era a única coisa que funcionava de forma organizada na vila. Padre Antônio foi morar em Vila Esperança a pedido do Portuga, em uma de suas viagens à Vila São de Paulo.

Segundo o Portuga, toda vila precisava ter um padre e um mosteiro. Na época em que recebeu o convite do Portuga, Padre Antônio trabalhava na missão dos padres fundadores do colégio jesuíta da Vila de São Paulo, em um trabalho missionário para catequizar os Índios.

Aparentemente comovido com a solicitação do Portuga, Padre Antônio intercedeu junto ao padre responsável pela missão, e recebeu autorização para partir com o Portuga, levando consigo a missão de construir um colégio e evangelizar as pessoas.

O Portuga era um homem muito fiel a Cristo e a seus ensinamentos. Tratava muito bem seus servos, como se fossem membros da família, e todos lhe eram muito gratos por isso.

Enquanto a maioria dos “Paulistas” estavam em uma intensa corrida em direção às matas na luta por conquistar e escravizar os Índios para mão de obra, o Portuga sempre dizia: “a Bíblia diz, o que o homem semear, isso também ceifará”.

Ele dizia isso com a fé de que as pessoas da Vila Esperança não iriam cair no erro de se deixar levar pela ganância. Após sua morte, o Portuga deixou para o Padre Antônio o desejo de que ele tomasse conta das pessoas e da vila, enquanto ela existisse.

Padre Antônio era uma figura muito amável e carinhosa. Sempre com um sorriso nos lábios, e um olhar amistoso, era um velhinho que amansava as pessoas apenas com o seu olhar. Todos na vila o amavam e o respeitavam, não apenas por seu jeito doce, mas também por seu constante cuidado, e por sempre se preocupar com o bem estar das pessoas acima de tudo.

Muitos anos se passaram, e Padre Antônio já estava com uma idade avançada,  e as pessoas da Vila começavam a ficar preocupados com sua saúde. Um dia, em meio à quietude da noite fria de um final de outono, um choro se ouviu no mosteiro, e ele deu seu último suspiro.