Perguntas e Respostas

Essa é uma discussão sobre o evangelho, e de uma certa forma, sobre a religião. Ou, tentando definir melhor o assunto, estou aqui tratando de questões como cristianismo, religiosidade e sobre ser um seguidor de Cristo. Afinal, essa é a busca do Cristão: ser um seguidor de Cristo.

E essa busca vai um pouco além do simples “seguir” a Cristo, pois ele mesmo nos deixou indicado que seguí-lo implicaria no fato de viver como ele viveu. E é disso que estou falando aqui.

Sou profissional de TI, trabalho há muitos anos em uma consultoria, e tive a oportunidade de conhecer os mais diversos ambientes corporativos. Já participei de projetos nas maiores empresas do Brasil, e tive também o privilégio de fazer algumas viagens internacionais.

Essa bagagem profissional me deixa razoavelmente confortável pra dizer que algumas das minhas impressões sobre a visão do sistema a respeito da vida são concretas.

Uma delas é a total incompatibilidade do modo de vida que o sistema determina que você precisa ter, em relação ao modo de vida que era ensinado por Jesus. Uma das formas bem claras de enxergar isso estão nos princípios do sistema que definem o sucesso.

De imediato já poderíamos avaliar que para o sistema não importa que você tenha vida, o que importa é que você tenha sucesso, mas essa é uma outra discussão e por enquanto vamos deixar as implicações dessa questão de lado.

Hoje eu me faço a seguinte pergunta: é possível viver da forma como Jesus vivia?

Para viver como ele viveu, seria necessário enxergar as coisas através da ótica de Jesus. Mas como fazer isso, se cada um de nós possui sua própria ótica? Cada pessoa é diferente, e enxerga as coisas de uma forma. Ainda que seja possível aprender coisas com Jesus, ou seja, absorver um pouco de sua ótica, nós ainda estaríamos agindo através de uma ótica pessoal – ainda que modificada.

E temos ainda um outro problema em relação a isso. Jesus não está mais fisicamente entre nós, e não está mais facilmente acessível, como era antes, quando caminhava por aqui. Todas as formas de acesso a Jesus hoje estabelecidas pelos nossos conceitos cristãos são muito abstratas e de difícil definição.

Se isso não fosse assim, nós poderíamos simplesmente perguntar: Jesus o que eu faço com essa situação? E ele nos daria uma resposta. Quem sabe até nos daria uma parábola como resposta, mas pelo menos teríamos algo com que trabalhar. Mas hoje, quando fazemos essa oração “Jesus o que eu faço com essa situação?”, não há uma voz ou parábola em resposta.

Eu tenho razões para acreditar que há uma saída para esse dilema, e que ela pode ser encontrada de forma bem concreta, como uma consequência do “está consumado” de Jesus.

Minhas razões se baseiam nos seguintes pensamentos:

Pensamento 1

O fato de que eu não sei a resposta para uma determinada situação, não obrigatoriamente implica no fato de que essa resposta não exista, ou seja, a minha ignorância em relação a determinada situação não representa a ignorância do mundo ou de Deus.

Isso nos tira de uma situação onde não há una resposta para nossas perguntas, e nos coloca em uma situação onde na verdade precisamos buscar onde está essa resposta.

Esse pensamento transforma a solidão de um beco sem saída, na perseverança de uma caminhada.

Pensamento 2

Para obter a resposta para um determinado problema, você não precisa que o autor da resposta se materialize diante de você.

Isso é muito simples de provar. Hoje nós vivemos nossa vida quase integralmente fundamentada em respostas sugeridas por pessoas que não estão mais presentes. Equações matemáticas, conceitos diversos de história, física, químia, biologia, filosofia e em todas as áreas da nossa vida foram deixados por pessoas que não estão mais aqui, e ainda assim esses conceitos resolvem nossos problemas diariamente.

E não há nenhum desamparo da parte de Deus nisso. Isso representa sobretudo a incrível competência de Deus.

Um professor que precisa conduzir seu aluno pela mão pessoalmente desde seu nascimento até sua morte aos cem anos de idade, ou não está fazendo um bom trabalho, ou possui um aluno com sérias dificuldades intelectuais.

Levando em consideração que nós mesmos fomos criados por Deus, eu não posso crer que ele nos fez incapazes mentalmente, e também não posso crer que Deus é incompetente.

Eu não preciso, portanto que Deus apareça e me responda orações pessoalmente ou com sua voz, dado todo o cenário completo de possibilidades deixado por seus ensinamentos.

Esse pensamento me aproxima genuinamente de Deus e das pessoas.

Esse pensamento me aproxima de Deus de forma genuína, pois a partir do momento em que eu deixo de olhar para Deus como uma estante onde eu procuro apenas encontrar a solução para os meus problemas, eu abro a possibilidade para me relacionar com ele pela amizade que nós poderíamos construir.

Esse pensamento também me aproxima de forma genuína das pessoas, pois é através do relacionamento em amor com elas que minha caminhada perseverante se torna mais amena, e é por intermédio delas que Deus responde a várias das minhas questões.

Pensamento 3

Se o homem é capaz de perpetuar com fidelidade satisfatória princípios científicos e filosóficos, também preciso considerar que é capaz de perpetuar com a mesma fidelidade satisfatória princípios religiosos ou fatos históricos relacionados.

Isso me deixa mais à vontade para considerar os registros deixados sobre a vida de Jesus, no mínimo em sua essência.

Deixando a discussão sobre exageros dos relatos ou situações místicas à parte, é um fato irrefutável por todos que a vida de Jesus foi fundamentada e vivida no amor.

E isso é não apenas incrível, como lindíssimo.

Veja que coisa maravilhosa: Todos os milagres e incríveis manifestações de Jesus são questionáveis tanto cientificamente quanto por questionar-se fidedignidade dos relatos, com exceção do maior deles e do único que realmente faz diferença em nossas vidas, que foi o fato de Jesus ter vivido uma vida completamente baseada no amor.

Esse pensamento me ajuda a acreditar no que foi deixado escrito sobre a vida de Jesus, não como uma forma de me oprimir ou oprimir os outros com inúmeras regras a serem seguidas, mas como uma forma de que existe um exemplo a ser seguido, e ainda mais: é possível seguir esse exemplo pois ele foi deixado por outro ser humano.

Considerado então as implicações desses três pensamentos, eu diria que é possível sim viver como Jesus viveu. É necessário antes de mais nada saber como ele viveu, como ele costumava agir, e existem relatos suficientes sobre isso.

É necessário também estar preparado para ser prejudicado, pois Jesus demostrou que não é possível fazer o bem, sem sofrer o mal.

Mas antes de fazer uma lista interminável de todas as coisas que seriam necessárias, poderíamos apenas deixar e perpetuar um único ensinamento, que reúne em si mesmo todas os mistérios, respostas, valores e princípios:

“Um novo mandamento vos dou: Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Nisto todos conhecereis que sois meus discípulos. “Joao 13:34,35

A Ordem Sagrada do Cristal Mágico – Parte Final

Alguns séculos se passaram. Estamos no ano de 2599.

O Magistrado Supremo toma seu lugar no centro do salão oval do mega templo, com espaço para mais de 200 mil pessoas.

“Queridos irmãos e irmãs, da Ordem Sagrada do Cristal Mágico. Estamos aqui para celebrar e relembrar.

Há mais de 600 anos, nosso primeiro grande Magistrado Supremo, Mehn Dy Gho, recebia a santa revelação do Cristal Mágico.

Revelação essa que mudou profundamente sua vida, e por isso mesmo ele nos deixou escritas suas cartas sagradas, para que eu e você pudéssemos também crer no poder do Cristal Mágico.

Iremos agora dar início a nossa solenidade repetindo os Mandamentos do Cristal.

Se esses mandamentos forem seguidos, irão nos garantir um lugar na Ordem Espiritual do Cristal, que nos aguarda na próxima vida.

Há concordância com essa palavra?”

E todos repetiram: Sim, concordamos!

“Prossigamos então”, continuou o Magistrado, lendo em voz alta os mandamentos:

Primeiro Mandamento

Todo aquele que se desviar do caminho do Cristal Mágico estará condenado a escuridão eterna.

Segundo Mandamento

Não teremos piedade daqueles que cometem delitos. Todos serão julgados e sentenciados, em nossos corações e com nossos atos.

Terceiro Mandamento

Colocaremos nossa estrutura e nossa instituição acima do bem-estar das pessoas. Pessoas não são importantes, o que é importante é manter a Ordem Sagrada do Cristal Mágico.

Quarto Mandamento

Nossos valores e princípios serão sempre negociáveis. Não podemos trazer problemas para nossa estrutura ou causar prejuízos para pessoas importantes por uma questão supérflua como valores e princípios.

Quinto Mandamento

Os fins sempre justificam os meios.

Sexto Mandamento

Jamais se questionará a palavra do Magistrado Supremo. Não importa o que ele diga, a palavra dele sempre representará a revelação do Cristal Mágico. Questionar a palavra do Magistrado é rebelião e leva à escuridão eterna.

Sétimo Mandamento

A maneira mais fácil de esconder seu próprio erro, é evidenciando com vigor os erros daquele que está ao seu lado.

Oitavo Mandamento

Com a nossa boca pregaremos a humildade, mas sabemos que o verdadeiro poder está na superioridade, então sempre iremos nos considerar superiores aos outros.

Nono Mandamento

Para manter funcionando essa estrutura que nós mesmos criamos, precisamos criar leis espirituais para convencer as pessoas a darem dinheiro.

Décimo Mandamento

Viveremos e agiremos sempre para engrandecer a nossa estrutura, pois o mundo lá fora é mau e perverso, e de fora das nossas portas nada pode vir de bom.

Dizendo o mandamentos do cristal, o magistrado supremo finaliza perguntando: há concordância?

E todos repetiram: Sim, concordamos!

E assim o Magistrado Supremo da Ordem Sagrada do Cristal Mágico dava início a mais uma solenidade.

O fato triste era que, aquele pobre mendigo que havia vivido há 600 anos atrás jamais imaginou, e muito menos planejou que sua bolinha de gude um dia seria chamada de Cristal Mágico, e que ele seria considerado um profeta espiritual.

O bom e velho mendigo só queria sossego.

E isso me leva a perguntar, o quanto dos rituais e solenidades a que nós nos submetemos hoje – e submetemos os outros – foram projetadas para serem assim.

Será que nós estamos seguindo uma verdadeira determinação espiritual escrita em detalhes para nós há séculos atrás, ou uma enorme conjunção de diversas invenções humanas que foram se ajuntando ao longo dos séculos, que acabaram por transformar uma simples bolinha de gude, encontrada no chão, em um cristal mágico cheio de revelações espirituais.

Será que os valores e princípios que hoje nós defendemos na prática, foram os valores efetivamente deixados por aquele cujo nome nós trazemos estampado em nossas camisetas e bandeiras?

Pense!

A Ordem Sagrada do Cristal Mágico – Parte 2

Seguiam pelas ruas da cidade, o mendigo e o velho.

‘Vai demorar muito?’, perguntou o mendigo.

‘Já estamos chegando, é logo ali depois daquela favela.’, disse o velho.

De repente, dois favelados observaram os dois mendigos caminhando, e perguntaram:

‘O que é isso, uma procissão dos miseráveis?’, disseram os favelados.

‘Não interessa.’, retrucou o mendigo.

‘Estamos indo para nosso território.’, disse o velho.

‘Esse velho já caducou faz tempo’, pensou o mendigo.

‘Que território?’, perguntaram os favelados.

‘Se vocês querem saber, vão ter que nos acompanhar’, disse o velho.

Como não tinham nada pra fazer, os dois favelados começaram a seguir o mendigo e o velho pelas ruas da cidade.

De repente, uma viatura policial aborda o grupo, e o policial pergunta: ‘esse grupinho não tá pensando em fazer besteira né!’

Na mesma hora os dois favelados, que provavelmente estavam devendo alguma coisa, começaram a suar frio.

‘Que nervoso é esse?’, perguntou um dos policiais.

Percebendo que o clima estava esquentando, o mendigo tentou amenizar: ‘seu guarda, estamos só de passagem, não vamos arrumar problemas.’

De repente, um dos policiais diz: ‘ei, eu conheço você, li uma matéria no jornal, sobre sua bola de gude, você é gente boa! Podem seguir aí, e não se metam em encrencas.’

Dizendo isso, os policiais foram embora.

Os dois favelados olharam para o mendigo e disseram: ‘cara que sorte você estar com a gente, se não fosse por isso, a essa altura nós já estaríamos em cana. A partir de agora você pode contar com a gente para o que precisar’.

‘Eu te disse que essa bola de gude é magica.’, disse o velho com um brilho místico no olhar.

‘Ai meu Deus’, pensou o mendigo.

Tudo o que ele queria era sossego e agora tinha uma turma de seguidores devotos da sua bolinha de gude.

Enquanto ainda estava pensando numa forma de se livrar dessa dor de cabeça um grupo de cinco mendigos se aproxima.

‘Como vocês fizeram pra se livrar daquela viatura tão facilmente? Nós acabamos de levar uma geral bem dolorida!’.

‘Nós estamos com o portador da bola de gude da sorte’, disse um dos favelados.

‘Bola de gude da sorte não’, respondeu o velho, ‘bola de gude mágica!’

‘Como assim?’, perguntou um dos cinco.

Foi preciso mais de uma hora para explicar aos cinco mendigos toda a historia, já com os aumentos místicos do velho, e os aumentos devotos dos dois favelados.

As tentativas do mendigo de explicar a natureza real das situações era constantemente ignorada.

Sem pensar duas vezes, os cinco mendigos se juntaram ao grupo que agora já se tornava um bando.

‘Onde isso vai parar?’, o mendigo se perguntava.

(Continua)

A Ordem Sagrada do Cristal Mágico – Parte 1

Era uma vez, há muitos anos atrás, um mendigo.

Ele estava andando pela rua e encontrou uma bolinha de gude. Ele olhou pra ela e pensou ‘que sorte, encontrei uma bolinha de gude inteira, sem um risco’.

O mendigo pegou a bolinha de gude pra si, e guardou no bolso.

Um belo dia, o mesmo mendigo estava passeando desatento pelas ruas da cidade, pensando em como faria pra arrumar uns trocados, quando de repente ele ouviu alguém gritar ‘pega ladrão!’.

Na mesma hora ele se abaixou pensando ‘droga me pegaram’, quando então percebeu que não era com ele. Um homem vinha correndo na direção dele a toda velocidade, e atrás dele uma senhora.

‘To fora’, pensou o mendigo, e foi saindo de fininho, mas quando ele se levantou pra ir embora a bolinha de gude escorregou do seu bolso, e foi rolando pela rua bem na frente do ladrão que vinha correndo.

O ladrão escorregou, e caiu de costas no chão desmaiado.

O mendigo, que tinha percebido que sua bolinha de gude havia escapado, já estava em cima do ladrão, procurando por ela.

Aquela senhora, dona da bolsa que o ladrão havia roubado chegou bem na hora em que o mendigo achava sua bolinha.

‘Sua bolsa está aí senhora’, disse o mendigo, ‘eu só quero a minha bolinha’.

‘Obrigada, obrigada, muito obrigada’ repetia a senhora ao mendigo, várias vezes. ‘Esse mendigo salvou minha bolsa’, gritava ela.

O mendigo já meio incomodado agradeceu e foi se retirando.

Duas semanas depois, o mendigo estava juntando uns pedaços de jornal pra dormir embaixo do viaduto, quando ele escuta ao lado dele um outro mendigo, bem mais velho do que ele, dizendo:

‘Vejam só, se não é o dono da bola de gude mágica.’

‘Bola de gude mágica?’, retrucou ele desconfiado, já apalpando sua tão querida bolinha de gude.

‘Sim, sim leia!’, disse o velho, que tinha uma barba cinzenta que ia até o umbigo, pegando do lixo um pedaço de jornal velho onde tinha uma matéria que dizia:

‘BOLINHA DA SORTE SALVA BOLSA DE SENHORA.’, com data do dia seguinte ao ocorrido

Ao que tudo indica, alguém havia narrado o fato a um jornalista que achou por bem publicar a história no jornal do bairro.

‘Essa matéria não tá dizendo que minha bola de gude é mágica’, observou o mendigo.

‘Sim, meu caro, mas uma bola de gude com essas propriedades salvadoras só pode ser magica!’, disse o velho.

‘Tá bom, que seja’, disse o mendigo, e pensou ‘esse velho deve ter fugido do manicômio’.

Na manhã seguinte, o mendigo resolveu mudar para outro viaduto, e quando estava se retirando percebeu que o velho estava vindo junto com ele.

‘Onde você vai dono da bola mágica?’, perguntou o velho.

‘Não te interessa’, retrucou o mendigo.

‘Ei, eu sei de um lugar bom pra nós, venha’.

O mendigo pensou em mandar o velho arrumar outra pessoa pra atormentar, mas depois pensou que, se esse velho pensava que a bola de gude dele era mágica, e queria tratar ele como alguma espécie de mendigo vip, talvez isso pudesse ser bem interessante pra ele.

(Continua)