A Constante e as Variáveis do Universo

(Obs.: Este é um post com um pensamento um tanto quanto complexo. Dúvidas ou questionamentos, estou à disposição. Coloquei aqui alguns conceitos e questões que nasceram das minhas reflexões. Não pretendo re-escrever conceitos científicos estabelecidos, se algo que foi dito aqui for incoerente conceitualmente com algum termo científico, estarei pronto para fazer uma revisão de termos, eu gostaria porém de incentivar o leitor a se manter concentrado mais no raciocínio do que na terminologia utilizada.)

Eu sempre fiz uma pergunta para mim mesmo: Porque Deus disse a Moisés “Eu Sou”, quando Moisés perguntou o nome de Deus?

Vamos recapitular um pouco a história.

O povo de Israel estava sofrendo duras aflições no Egito. Tudo começou quando José foi vendido como escravo por seus irmãos. Os irmãos de José estavam muito irritados com ele, porque ele tinha tido alguns sonhos que na visão deles representavam que José teria soberania sobre eles.

De fato era verdade, José iria ter soberania sobre eles, mas na época ninguém soube interpretar corretamente o sonho e isso gerou muita frustração. Fora isso José era o queridinho do papai, o que já não devia tornar as coisas muito fáceis pra ele. E pra piorar José “não dava um dia de serviço” e isso irritava mais ainda os irmãos.

Um dia, uma caravana passou por perto e José estava ali dando sopa, provavelmente não fazendo nada enquanto seus irmãos trabalhavam. Sem pensar muito, os irmãos de José o venderam como escravo. O resultado da história todo mundo já conhece, ou se não conhece leia lá em Gênesis pra conhecer os detalhes.

Mas o que acontece no fim das contas, é que José depois de passar duras penas trabalhando como escravo na casa de Potifar, depois indo parar na cadeia e passando vários anos lá, finalmente acaba revelando um sonho do Faraó e acaba sendo estabelecido como um dos governadores do Egito.

Do que se tratava o sonho? Os sete anos de fartura, e os sete anos de fome. José então orienta o Faraó a guardar comida para os sete anos de fome, e durante a fome os povos que viviam ao redor vinham ao Egito para comprar comida, o que aumentou ainda mais seu poder e riqueza.

Um dia, em uma das caravanas que vai ao Egito comprar comida José reconhece seus irmãos, mas ninguém reconhece José. Então ele se lembra de sua família e de seu pai, e manda buscar toda sua família. Agora vale lembrar que o pai de José era Jacó, que era filho de Isaque, filho de Abraão, a quem Deus havia prometido que faria dele uma grande nação.

Acontece então um fato muito curioso. A família de José começa a se multiplicar dentro do Egito, e começa a formar uma grande nação lá dentro.

Mais ou menos como um processo de gestação, que começa com um pequeno embrião, e vai aumentando até formar um corpo perfeito dentro do ventre da mãe. José foi a pequena semente que fecundou o Egito, e lá dentro começou a se multiplicar a nação de Israel.

Após muitos anos, quando os Israelitas já eram muito numerosos, os Egípcios ficaram com medo de Israel se voltar contra eles e começaram a escravizá-los. Isso começou a gerar muita tristeza e desejo de liberdade no coração do povo de Israel. Finalmente Deus levanta Moisés como o grande libertador, e após passar por muitas aflições, o Egito deixa Israel ir embora.

Podemos dizer que o Egito, em meio a muitas dores de parto – as dez pragas –  finalmente dá a luz a Israel,  que nasce para o mundo.

Mas um pouco antes de ir ao Faraó clamar pelo povo de Israel, Deus aparece para Moisés em na forma de um arbusto pegando fogo. A famosa “Sarça Ardente”.

Nessa conversa, basicamente Deus explica a Moisés sua missão. Leia os detalhes em Êxodo 3. Mas um dos pontos que me incomodaram durante muito tempo fica registrado nos versículos 13 e 14.

“Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?

E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.” Êxodo 3:13,14

Moisés pergunta ao Senhor, o que ele deve dizer a Israel quando perguntarem para ele “Quem é que te enviou?”. Primeiro perceba como é curioso, que o próprio Deus precisou se apresentar a Moisés.

Quando Deus disse a Moisés que ele deveria ir ao povo e dizer que “o Deus de vossos pais” o havia enviado, ele ficou preocupado porque as pessoas perguntariam: “Que Deus?”. Os Israelitas então precisariam ser ensinados nesse sentido, sobre o chamado de Abraão e sobre seu destino.

Mas o que me deixou mais curioso: Deus não diz seu nome!

Entretanto Deus diz uma coisa muito profunda: ele manda Moisés dizer que o “Eu Sou” o havia enviado.

Isso sempre me gerou algumas perguntas:

  • O que significa isso?
  • Porque Deus diz “Eu Sou” ?
  • “Eu Sou” o que?

E muitas outras…

Um dia refletindo muito sobre isso, eu cheguei a uma conclusão pessoal sobre o assunto, mas antes precisamos estabelecer um raciocínio, que pode parecer um pouco complicado.

Podemos classificar tudo o que existe, em dois conjuntos: o conjunto das variáveis, e o conjunto das constantes.

Ou seja, tudo pode ser classificado ou como uma variável, ou como uma constante. E esses dois conjuntos são excludentes, algo que é constante não pode ser variável, e vice-versa.

O que é uma Variável?

Uma variável é tudo aquilo que possui natureza transitória, ou seja, ela muda de estado. Muitas coisas se encaixam nesse conjunto, e mais tarde vamos ver que na verdade a imensa maioria das coisas com exceção de apenas uma única.

Por exemplo, a água é líquida ou sólida?

A água na verdade está líquida, porque a água pode mudar de estado. E mesmo quando a água está congelada, ela apenas está congelada, indicando que pode voltar a ficar líquida, ou até mesmo gasosa.

Logo, se algo pode mudar de estado então é variável.

Podemos pensar em centenas de exemplos.

A pedra é uma pedra? Não, na verdade ela está uma pedra. Porque você pode reduzir uma pedra a um punhado de areia.

Com isso estabelecemos o raciocínio de que, se algo pode mudar, em qualquer aspecto que seja, é uma variável.

Procure pensar em muitas coisas.

Vidro não é vidro, ele está vidro, pois vidro pode virar areia.

Verde pode se misturar com outras cores e virar outra cor.

Um ser humano pode deixar de respirar e morrer, e virar pó.

Procure testar tudo ao seu redor e veja se consegue pensar em algo que consiga escapar do raciocínio da variável.

Nem mesmo os elementos mais básicos, como o hidrogênio, ou as partículas mais elementares não escapam do conjunto das variáveis. Pois o hidrogênio pode se desintegrar, e seu núcleo se dissipar.

Um único próton pode se dividir em quarks, e até o momento não foi encontrada uma partícula ou elemento fundamental, ou seja, absoluto e indivisível.

E para completar o raciocínio das variáveis, precisamos considerar todos os tipos de “estado” possíveis, inclusive o da própria existência. A existência, portanto também é uma mudança de estado.

Isso significa que, se algo não existia antes, e a partir de um determinado momento passa a existir, isso representa uma mudança de estado, da não-existência para a existência, e isso classifica essa entidade automaticamente no conjunto das variáveis.

O que é uma Constante?

Uma constante é algo que nunca muda. Suas características básicas não mudam nem podem mudar de estado, nem se transformar em nada.

Levando isso em consideração, e considerando a premissa de que a própria existência caracteriza um estado, para que algo seja classificado como Constante, é necessário que exista em absoluto em todas as dimensões possíveis de tempo.

Constante Absoluta e Constantes Circunstanciais

Não conheço (ou não estudei suficiente) as questões relacionadas a dimensões e espaço-tempo, e suas implicações com as leis da física moderna, mas vou humildemente classificar essa condição de existência com o nome de Existência Definitiva.

Uma constante, para ser absoluta precisa ter todas as propriedades de não-mutação, inclusive a de existência definitiva, caso contrário será meramente uma constante circunstancial.

Uma constante circunstancial é uma variável que muda de estado, mas ao assumir suas novas propriedades, não muda nunca mais, ou seja, muda de variável para constante. Um exemplo são as constantes matemáticas. As constantes matemáticas são constantes circunstanciais. Elas não existiam antes, mas passaram a existir em um determinado momento como valores que nunca mudam.

Procure testar tudo ao seu redor com o raciocínio da constante, e veja se consegue encaixar alguma coisa.

A verdade é que nada ao nosso redor que consigamos pensar seja no nosso cotidiano, na vida, no universo, consegue entrar no conjunto da constante, ou mais corretamente, no conjunto das Constantes Absolutas.

O Eu Sou

Sendo assim, todas as entidades do universo, partículas e ondas, matéria e energia, seres e entidades físicas ou espirituais são variáveis, ou porque podem mudar de estado, ou porque em um determinado momento do tempo passaram a existir.

Deus é a única entidade que poderíamos classificar como constante absoluta, pois uma vez que estabelecemos que existe a constante absoluta, e uma vez que tudo o que conseguimos pensar ou classificar com nossa mente não conseguimos enquadrar nesse conjunto, só nos resta concluir que apenas uma entidade superior, que possua todos os outros atributos em absoluto (verdade absoluta, amor absoluto, existência absoluta), seja compatível com o conjunto da constante absoluta.

Deus é a única constante absoluta, seja qual for o plano de existência, dimensão ou universo que estejamos observando.

Esse raciocínio entra em concordância com o relato bíblico, levando em consideração a forma como o próprio Deus refere-se a si mesmo.

Pensando dessa forma, fica uma pista do porque Deus disse a Moisés para chamá-lo de o “Eu Sou”.

Segundo esse pensamento, Deus é o único que pode dizer isso.

Ninguém mais, e nada neste ou em qualquer universo pode dizer que É.

É por isso que Deus é o único que pode dizer que é o Alfa e o Ômega. Ser o Alfa e o Ômega implica necessariamente em ter existido para sempre no passado, e existir para sempre no futuro, usando um exemplo simples de linearidade do tempo.

Deus estava dizendo a Moisés: “Eu Sou aquele que É”. “Eu sou a constante absoluta”. “Eu sou tudo.”

O Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, aquele que era, que É e que há de vir. (Ap 1:8)

O Deus Eterno, que sempre existiu e que existirá para sempre, e sobre o qual não há mudança nem sombra de variação. (Tiago 1:17).

Ele É Tudo em Todos. Colossenses 3:11, Efésios 1:23

Que aquele que É, nos ajude a estarmos.

A Supremacia Espiritual

Como é curioso ver o cristão de hoje em dia discutindo suas convicções e tentando ser superior a todos, em tudo.

Muitas vezes acho engraçado como nós seres humanos somos tão convictos de certas coisas. Gostamos de declarar nosso conhecimento, nossa sabedoria, e adoramos afirmar as coisas. Eu me pergunto, o quanto de tudo isso nós podemos considerar realmente como sabedoria, conhecimento e inteligência.

Será que ao final nós iremos crescer e aprender como as coisas realmente funcionam, e perceber que toda nossa convicção e sabedoria não terão passado de grandes passos dados no escuro?

Estive lendo um dia desses um texto em Romanos, que me trouxe uma série de reflexões.

Ele dizia assim:

  • Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas – Romanos 14:1

O que significa a expressão Enfermo na Fé?

Talvez seja alguém cuja Fé ainda não atingiu um estágio mais elevado de compreensão. Uma fé simplória, humilde. Uma fé que não apresenta grandes conhecimentos bíblicos e não consegue entender ou discutir grandes questões, filosóficas ou religiosas.

Uma fé que talvez interprete incorretamente as questões da fé. Uma Fé que é pequena e precisa de auxílio, e por isso Paulo diz “recebei-o”.

Este “recebei-o” possui um ar um tanto quanto paternal, como se Paulo estivesse dizendo: Compreenda, receba e acolha aquele que possui uma fé ainda em desenvolvimento.

Portanto, fazendo uma tradução (segundo eu mesmo!), teríamos:

  • “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o”

Seria o mesmo que dizer:

  • “Compreenda e acolha aquele que possui uma Fé ainda em desenvolvimento”

E o texto ainda continua com a orientação: “não em contendas sobre dúvidas”.

Esta frase me leva a pensar que Paulo está desencorajando qualquer tipo de discussão, debate ou argumentações sobre as questões duvidosas da Fé, com aqueles cujo entendimento ainda está por atingir um patamar mais amadurecido.

A recomendação de Paulo pode parecer desnecessária num primeiro momento, mas ao observar o comportamento geral do Cristão, podemos perceber uma nítida mania – ou complexo – de inteligência. Ou poderíamos dizer mania de santidade. É como se existisse uma disputa velada (ou declarada) sobre quem possui mais maturidade religiosa.

Paulo sabia que existiam algumas questões mais complicadas para o entendimento, que poderiam confundir alguns dos Cristãos menos esclarecidos e que tais questões poderiam não representar desafios para os mais esclarecidos, e desencoraja esse tipo de “confronto”.

Porém aí é que entra, na minha opinião, uma das classificações curiosas a respeito da Fé.

Aquele que determina quem é mais ou menos esclarecido em relação à Fé está usando qual critério para estabelecer o raciocínio? É menos esclarecido na Fé aquele que recebeu a Fé Cristã há menos tempo? Ou aquele que é menos instruído?

E sobre qual tipo de instrução estamos falando, a instrução religiosa, ou a instrução secular? Ou ambas? Ou a instrução Divina?

Qual é o critério?

Não há uma resposta pra isso, e de qualquer maneira às vezes eu tenho a nítida sensação de que nossas convicções estão todas distorcidas, e de acordo com elas nós distorcemos de igual maneira os ensinamentos bíblicos, mesmo que eles estejam escrito em português claro, formal, correto e revisado.

E são sobre convicções como essas, distorcidas e duvidosas, que nós determinamos quem é mais ou menos instruído, quem é mais ou menos enfermo na fé, e quem é mais ou menos esclarecido nas questões religiosas, quando na verdade somos igualmente cegos.

E Paulo foi muito inspirado pelo Espírito Santo ao dizer: “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas”.

Digo isso porque, considerando qualquer ponto de vista, esse ensinamento colocaria um fim em qualquer disputa.

O raciocínio é simples: imagine duas pessoas, uma considerando a outra como sendo imatura na Fé.

Para ambas Paulo diz:

“Compreenda e acolha aquele que possui uma Fé ainda em desenvolvimento, sem debates ou argumentações.”

Egoísmo e Hipocrisia

Li recentemente uma notícia muito curiosa. Uma professora de um colégio britânico católico  foi julgada e condenada por assediar sexualmente um aluno da escola em que dava aula. A professora tem 24 anos, e o aluno 14.

Segundo a seção de notícias da UOL, onde a notícia foi publicada:

“A professora recebeu uma sentença de seis meses de prisão com suspensão condicional, o que significa que ela não terá de cumprir a pena a não ser que cometa outra infração nos próximos dois anos, e foi incluída na lista de agressores sexuais do país por sete anos.”

A notícia cita que a professora confessou os fatos diante do juiz, dizendo que havia ficado emocionalmente abalada por haver terminado um relacionamento, e começou a assediar o aluno.

Em toda essa situação, uma coisa muito curiosa foi a fala do juiz para a ré, ao definir sua conclusão sobre ela:

“O que está muito claro, infelizmente, é que naquele momento você só poderia ser vista como uma pessoa egoísta e hipócrita … “,” … por um lado, afirmando ser extremamente religiosa, com base na sua fé católica, e atuando como professora, ensinando educação religiosa para crianças. E por outro, alguém com um longo relacionamento com um homem que ficou ao seu lado, que a pediu em noivado e mais tarde se casou com você, enquanto você tinha um caso escondido e então, pelo que li no relatório, você achou o fim do relacionamento com essa pessoa tão difícil que permitiu que isso, de alguma forma, afetasse seu comportamento com esse jovem menino.”

Eu me pergunto: essa professora era egoísta e hipócrita porque enviou SMS com conteúdo sexual para um aluno, ou porque ela fez isso sendo uma pessoa que professava uma fé religiosa, e era professora de religião?

Sem dúvida o juiz não a condenou a seis meses de prisão por ser hipócrita, mas sim por ter cometido um crime, o de assédio sexual a menores de idade. Mas a conclusão pessoal dele a respeito do caráter da professora me impressionou.

Me impressiona a facilidade com que tiramos conclusões sobre uma coisa tão difícil de definir como é o caso do caráter de alguém.

Eu me pergunto: se a pessoa fosse uma atriz pornô, ou uma pessoa da mídia constantemente envolvida em escândalos sexuais, ela seria classificada como egoísta e hipócrita? Pense, e veremos que provavelmente não.

E neste caso, quem estaria sendo hipócrita?

A notícia encontra-se em http://noticias.uol.com.br/bbc/2011/11/01/professora-de-religiao-e-condenada-apos-mais-de-200-torpedos-para-aluno.jhtm, eu recomendo a leitura!